Uma clara manobra protelatória marcou a manhã desta sexta-feira (17) na Câmara de Avaré. Com as oitivas da Comissão Processante (CP) 01/2026 já encerradas e o relatório próximo ao prazo final, o depoimento da munícipe Priscila Regina Bexiga surgiu como um “balão de ensaio” para tentar desfiar o foco da possível cassação do mandato do vereador Cabo Samuel Paes, acusado de quebra de decoro parlamentar.

Sem argumentos técnicos para rebater as imagens de agressão que fundamentam a CP, a estratégia usada agora é personificar a denúncia na figura da jornalista Cida Koch, editora-chefe do in Foco, como “manipuladora” e “mentora” da CP,  além de “tendenciosa”, para desviar o foco da votação da cassação. A depoente alegou, sem apresentar provas periciais, que a jornalista seria a “mentora intelectual” do pedido de cassação.

Juristas estão questionando o depoimento da munícipe, já que segundo o inciso III do artigo 5° do Decreto Lei 201/67, as testemunhas devem ser arroladas na defesa prévia do denunciado. Sendo assim, hipoteticamente, a oitiva dela poderia ser considerada em tese, ilegal e a Comissão Processante teria agido com abuso de poder.

O que a testemunha chama de “mentoria”, na verdade, é o papel social do jornalismo investigativo: ouvir o cidadão, dar voz aos injustiçados e auxiliar na formatação de denúncias que chegam à redação.

Prints de Conversas Privadas

A depoente entregou à comissão, um pendrive, contendo prints e áudios de grupos de WhatsApp e diálogos privados, que foram exibidos no telão durante a oitiva – o que configura uma grave violação do sigilo de comunicações. A legislação brasileira é clara: a divulgação de conversas privadas sem autorização de todos os interlocutores é ilícita e não pode servir como prova judicial.

Mais grave ainda é o uso de “cortes tendenciosos”. Áudios editados e ptints com frases fora de contexto foram utilizados para criar uma narrativa de “manipulação” envolvendo não apenas a jornalista, mas outras pessoas que participaram ativamente do movimento que pedia a cassação de Paes, após o fato gravíssimo de 1º de dezembro.

O in Foco reafirma que a articulação política e o debate em grupos de mensagens fazem parte da democracia, e que a pressão sobre parlamentares por meio da notícia é o exercício legítimo da opinião pública, e não “cacetada” pessoal.

A depoente Priscila Bexiga acusou, sob juramento, e os munícipes Julianne Oliveira e Vinícius Berna, afirmando que eles teriam mentido à CP. No entanto, como é de conhecimento nacional, o histórico dos fatos mostra que tudo que ocorreu no plenário e cujas imagens foram filmadas e amplamente divulgadas. Tentar invalidar o depoimento das vítimas atacando quem noticiou o fato é uma tática comum de quem não tem defesa para o ato principal: a violência física no Legislativo.  Além disso, a depoente extemporânea não apresentou provas legais de nenhuma das acusações.

O advogado de defesa, João Drummont de Freitas, classificou as matérias do in Foco como “tendenciosas”. O que a defesa chama de tendência, os leitores conhecem como coragem editorial. O jornal não se omitirá diante de comportamentos que ferem o decoro, independentemente de quem o pratique.

 “Fato Político” e a Manobra para Adiar a Votação

O verdadeiro objetivo do depoimento “bombástico” ficou claro ao final da sessão: o pedido de prorrogação dos trabalhos por mais 45 dias. Com a votação prevista para o início de maio, a inserção de um depoimento fora do cronograma normal visa apenas ganhar tempo e esfriar o clamor popular pela justiça no caso da agressão contra o munícipe Vinícius Berna.

A menção a termos como “PCC” e ameaças orquestradas foi classificada por observadores políticos como um “teatro de horrores” para criar um clima de insegurança e desviar a atenção do vídeo que mostra o presidente da Casa imobilizando um cidadão.

“Demorou para eu perceber que a jornalista estava manipulando as situações e as pessoas. Demorou para eu enxergar que eu também estava sendo manipulada. Por questão do que é justo e do que é certo, resolvi vir falar”, declarou a munícipe à CP sobre a jornalista – a mesma munícipe que instigou a população à ir à Câmara pressionar vereadores para aprovar o pedido da CP e que inclusive aparece em reportagens bradando e segurando cartazes pedindo a cassação. 

A testemunha afirmou à defesa de Paes acreditar que a jornalista estaria “enaltecendo” figuras como Vinícius Berna e Juliane com o intuito de lançá-los politicamente no futuro, o que é outra fake news, já que a editora não é filiada a nenhum partido, nem tem pretensões políticas.

Justiça e Reparação

A jornalista Cida Koch e o Jornal in Foco informam que as acusações proferidas na tribuna da Câmara são gravíssimas e caluniosas. Todas as medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra a depoente e contra quem utilizou o aparato público para difundir mentiras e conversas privadas obtidas ilegalmente.

A tentativa de vincular a jornalista a práticas de “laranja” é uma ofensa não só à profissional, mas a toda a imprensa livre de Avaré. O jornal continuará cobrindo a CP com o mesmo rigor, sem se curvar a intimidações.

Aliás, continuará fazendo uma série de matérias sobre o caso até o desfecho final. A jornalista Cida Koch aguarda o convite da CP para depor, embora como dito acima, novas testemunhas não poderiam ser arroladas neste momento, conforme o inciso III do artigo 5° do Decreto Lei 201/67.