A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Avaré, participou, nos dias 28 e 29 de setembro, do projeto “Não Se Cale Vai à Escola”, com a realização de três palestras destinadas a estudantes do Ensino Médio da rede estadual.

As atividades foram conduzidas pela delegada Janaína Jacolina Morais, titular da DDM de Avaré, e ocorreram na EE Dona Maria Izabel Cruz Pimentel e na EE Coronel João Cruz, no dia 28, e na EE Dr. Paulo Araújo Novaes, no dia 29. O cronograma integra a parceria entre as áreas de Educação e Segurança Pública para promover a prevenção da violência contra mulheres e adolescentes.

Durante os encontros, a Polícia Civil abordou temas diretamente relacionados ao cotidiano dos adolescentes, como relacionamentos saudáveis, respeito, estereótipos, comunicação, resolução de conflitos e identificação de comportamentos de controle e violência. A proposta foi estimular a reflexão dos jovens sobre situações que muitas vezes começam de maneira aparentemente inofensiva, mas podem evoluir para relações abusivas. O material do projeto trabalha, por exemplo, a desconstrução de ideias como “ciúme demonstra amor” e “quem ama controla”, ressaltando que relações saudáveis são construídas a partir do respeito.

Outro ponto trabalhado nas palestras foi a diferença entre conflito e violência, mostrando aos estudantes que divergências fazem parte das relações humanas, mas ameaças, humilhações, ofensas e agressões não constituem formas legítimas de solucionar problemas. Também foram apresentados exemplos práticos envolvendo controle sobre amizades, exigência de senhas de celulares e outras condutas que podem indicar uma relação prejudicial, além de orientações sobre o ciclo da violência e situações enfrentadas no trabalho cotidiano da DDM.

A participação da DDM permitiu ainda aproximar os adolescentes da realidade da Polícia Civil e dos mecanismos existentes para proteção das vítimas. Os estudantes receberam orientações sobre como agir diante de situações de violência, inclusive quando o problema é vivenciado por um amigo ou colega. Ouvir sem julgar, acolher, incentivar a busca por ajuda e procurar um adulto de confiança estão entre as atitudes trabalhadas pelo projeto, que procura mostrar aos jovens que quem presencia uma situação de violência também pode contribuir para interrompê-la e para que a vítima chegue à rede de proteção.

O “Não Se Cale Vai à Escola” é desenvolvido em parceria entre a Secretaria da Educação, a Secretaria de Políticas para a Mulher e a Academia de Polícia “Dr. Coriolano Nogueira Cobra” (ACADEPOL). A primeira fase contou com uma trilha formativa composta por videoaulas, enquanto a segunda etapa leva Delegadas de Polícia às escolas estaduais para encontros presenciais com estudantes, ampliando o diálogo entre a comunidade escolar e os órgãos responsáveis pela proteção de direitos. A iniciativa busca capacitar a comunidade escolar para reconhecer, prevenir e encaminhar adequadamente situações de violência e vulnerabilidade.

Mais do que transmitir informações sobre legislação ou atuação policial, a presença da Polícia Civil nas escolas busca criar um canal de diálogo, confiança e orientação com os jovens. A experiência profissional das delegadas é apontada pelo próprio projeto como um dos diferenciais das atividades presenciais, permitindo que o conhecimento técnico seja associado à realidade encontrada diariamente no atendimento às vítimas. A proposta reconhece que a atuação policial também se concretiza pela educação, prevenção e promoção de direitos, contribuindo para que adolescentes reconheçam situações de risco antes que a violência alcance estágios mais graves.

A participação da DDM de Avaré reforça, assim, uma vertente preventiva do trabalho desenvolvido pela Polícia Civil e amplia sua integração com escolas, famílias e demais setores da sociedade. Ao levar informação diretamente aos estudantes, a instituição procura não apenas orientar sobre os caminhos disponíveis diante de uma situação de violência, mas também contribuir para a formação de uma cultura de respeito, diálogo e proteção. A parceria com a comunidade escolar fortalece uma atuação que vai além da resposta ao crime: busca antecipar problemas, aproximar os jovens da rede de proteção e fazer da informação um instrumento de prevenção da violência.