Um trágico acidente ocorrido nas dependências do EcoBlue Hotel, localizado na Rodovia SP-255 em Avaré, resultou na morte da colaboradora Maria Rubiana, de 38 anos, fato que gerou intensa comoção na cidade e veiculado por toda a imprensa regional.

Atropelada por um colega de trabalho dentro do próprio empreendimento no dia 17 de agosto, a funcionária esteve internada na Unidade de Cuidados Intensivos (UTI) até dia 12 de setembro, quando infelizmente faleceu por conta da gravidade dos traumas.

O caso, contudo, desdobrou-se numa série de denúncias delicadas que envolveriam a falta de assistência à família e falhas de segurança no trabalho.

A filha mais velha da vítima, Ana Flávia da Silva, de 20 anos — que também trabalhou no local e foi despedida em julho —, e seu advogado, procuraram a redação do in Foco para revelar o drama vivido pela família durante e após a internação da vítima. Segundo o relato, a direção do complexo prestou um apoio institucional mínimo no momento mais crítico.

Maria Rubiana deixou seis filhos — entre os quais um jovem de 19 anos com epilepsia e outro de 17 com paralisia cerebral, além de duas jovens (uma de 16 e outra de 13 anos) e um menino de 7 anos —, ficando sem qualquer fonte de rendimento com o acidente e posterior óbito da progenitora.

De acordo com Ana Flávia, o apoio financeiro e alimentar de emergência não partiram da administração do resort, mas sim da mobilização individual dos próprios funcionários, que organizaram rifas e doaram cestas básicas para socorrer a família.

A jovem conta que a gerência do hotel teria dito que disponibilizaria um valor de R$ 3.700,00 para despesas fúnebres. Perante a urgência e a falta de garantias imediatas no momento do óbito, a família teve de custear inicialmente o sepultamento através do cartão de crédito da empresa do pai e do parcelamento do valor restante em carnê. Apenas posteriormente a administração se comprometeu a efetuar o ressarcimento dos valores.  “A gente parcelou uma parte no cartão de crédito da empresa onde meu pai trabalha, que o chefe dele disponibilizou o cartão lá da empresa— que não tem nada a ver, meu pai nem é mais casado com a minha mãe. E o resto a gente fez no boleto”, conta Ana Flávia e complementa: “a tarde, eles me mandaram mensagem falando que iam arcar com tudo, só que eu já tinha pago tudo, aí eles ficaram de me ressarcir. E tirando isso, a única coisa também que eles me ofereceram foi a rescisão da minha mãe, que já é direito dela, direito de qualquer pessoa quando sai da empresa. Foi só isso, mais nenhuma ajuda, mais nenhum apoio”, desabafa.

O advogado da família, Gabriel Morais frisou que entrou em contato com o departamento jurídico na tentativa de viabilizar uma composição amigável. “A proposta foi devidamente recebida, porém não houve apresentação de contraproposta. Na ocasião, fomos informados de que, no entendimento deles, a questão deveria ser solucionada pela via judicial, apesar de nossa iniciativa em buscar uma resolução consensual”, informou.

A indignação da família intensificou-se após publicações efetuadas num grupo de mensagens do bairro Costa Azul, onde ela mora. Segundo Ana Flávia, uma assistente social local teria partilhado conteúdos de campanha eleitoral do deputado federal Luiz Carlos Motta (PL), afirmando que o parlamentar estaria prestando auxílio à família. A afirmação foi prontamente contestada por familiares e amigos no próprio grupo, que desmentiram a prestação de assistência direta por parte da liderança política.

Luiz Carlos Motta é deputado federal e inaugurou o resort, um empreendimento mantido pela Federação dos Empregados no Comércio do Estado de São Paulo (Fecomerciários), entidade presidida por ele.

Questionamentos sobre a segurança interna e conduta no local

O acidente trouxe também à tona graves questionamentos sobre as condições de segurança nas vias internas do complexo. Segundo relatos da família, o percurso entre a recepção e a portaria do resort é longo e carecia de sinalização adequada e de passadeiras para peões.

Antes do acidente, a equipe transportava os colaboradores em carrinhos de golfe, prática que teria sido proibida pela administração. Ao mesmo tempo, a circulação pela grama era vedada devido ao risco de animais peçonhentos pela proximidade com a área de mata. Após o atropelamento, os funcionários teriam sido instruídos a caminhar pelo gramado até que sejam construídas calçadas.

Outro ponto levantado refere-se a uma alegada instrução para que os colaboradores não comentassem nem publicassem informações sobre o acidente nas redes sociais enquanto a vítima permanecia internada na UTI.