Uma onda de indignação e preocupação tomou conta de Avaré nos últimos dias. Diversos moradores procuraram a redação para relatar que estão sendo surpreendidos com intimações da Polícia Civil para prestar depoimento. O motivo? Publicações nas redes sociais com críticas, cobranças e questionamentos direcionados à gestão do prefeito Roberto Araújo (PL).

O cenário tem gerado forte repercussão e levantado debates sobre a liberdade de expressão e o uso do aparelho estatal para coibir o contraditório.

Entre os relatos que chegaram ao jornal, o tom é de perplexidade. Cidadãos comuns afirmam que apenas exerceram o direito de cobrar melhorias no município — como reparos na infraestrutura urbana, saúde e zeladoria pública —, mas acabaram notificados a comparecer à delegacia.

O fato de o prefeito Roberto Araújo ter sido ex-policial civil torna a situação ainda mais delicada sob a ótica da população. Para muitos dos intimados, essa judicialização é  interpretada como uma tentativa de causar constrangimento, medo e silenciamento dos munícipes.

“Quer dizer que o cidadão de Avaré não pode mais opinar nem questionar a administração do prefeito sem correr o risco de parar na delegacia?”, questionou um dos leitores que procurou a reportagem após ser intimado.

A prática de judicializar ou policializar controvérsias com moradores não é isolada. Como já noticiado pelo Portal in Foco, a relação entre o prefeito e os críticos nas redes sociais vem se tensionando continuamente. Em matérias anteriores, o portal registrou denúncias de munícipes que, além de receberem notificações policiais, relataram bloqueios em páginas e perfis oficiais mantidos pela administração municipal.

Um dos casos de maior repercussão envolveu um motorista de aplicativo que realizou um protesto contra a proliferação de buracos nas vias públicas. Após instalar sinalizações lúdicas com a foto do prefeito e o próprio slogan da administração para alertar os motoristas sobre os perigos na pista, o cidadão acabou denunciado pelo chefe do Executivo à Polícia Seccional, resultando na abertura de inquérito e em seu depoimento.

O limite entre o direito de criticar e a gestão pública

Juristas e especialistas em direito público reiteram que figuras públicas e ocupantes de cargos eletivos estão naturalmente sujeitos ao escrutínio, às cobranças e ao descontentamento popular. A utilização da máquina pública ou do sistema judiciário para interpelar munícipes que manifestam insatisfação acende o alerta para o risco de assédio institucional.

Enquanto as intimações continuam a chegar às mãos de avareenses, a população cobra postura republicana e transparência, cobrando que as respostas da prefeitura venham em forma de obras e serviços prestados à comunidade, e não em notificações policiais.