
A repercussão da matéria que revelou o dobro de suicídios consumados em Avaré nos dez primeiros meses de 2025 (12 casos) em comparação com todo o ano de 2024 (6 casos) trouxe à luz uma crise ainda mais profunda: o colapso no atendimento psicológico da rede municipal.
Após a publicação dos dados alarmantes, a redação recebeu inúmeras mensagens de leitores que estão em sofrimento e buscam ajuda, mas se deparam com a escassez de profissionais e filas de espera de meses para serem atendidos por um psicólogo ou psiquiatra.
Os cidadãos que procuram o suporte da rede pública municipal de saúde, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), relatam uma dificuldade estrutural em obter o atendimento necessário.
“Muitas pessoas com depressão e ansiedade entraram em contato conosco. O denominador comum de todas as queixas é a mesma: a falta de psicólogos suficientes na rede municipal e a espera que pode se estender por meses, agravando o quadro de quem já está em situação de risco,” afirma a reportagem.
Este cenário de demanda crescente — comprovada pelo aumento de 100% nas mortes por suicídio — versus a oferta insuficiente de tratamento configura uma emergência de saúde pública que, segundo especialistas, não pode ser ignorada.
“Quanta falta faz ter atendimento psicológico gratuito em nossa cidade !!!! Infelizmente pagar um profissional são para poucos e a depressão não entende que a fila é grande”, disse uma leitora no comentário da reportagem. “Pedimos encaminhamento no posto com o médico; daí eles demoram chamar . Eu sempre preferir pagar para minha filha porque a demora é longa”, conta uma mãe.
“No começo do ano minha nora foi marcar psicólogo no posto da rua Acre – só tinha vaga para o mês de outubro, essa história que tem acolhimento é tudo balela ! Infelizmente a saúde esta falida!”, desabafa outra municipe.
“Tem uma pessoa que conheço que tem 7 meses que está com crise de ansiedade e depressão; tem 3 meses que está na fila do SUS para passar com psiquiatra e até agora nada” desabafa uma avareense.
“As pessoas não conseguem tratamento, pagar não é para todos; minha filha tem depressão das bravas mesmo, pelo SUS não tem nem data pra marcar nem psiquiatra e nem psicóloga, pagar quem aguenta? Psiquiatra é 600 reais uma consulta e 400 reais o retorno (…) estou pagando pra minha filha sem condições de pagar, pois é uma situação que não dá pra esperar, aí fica uma situação grave sem tratamento da nisso, e o prefeito anunciando Emapa com todo vapor; muito triste isso saber quantas vidas poderiam estar aí se cuidando medicada e evitar um fim trágico”, lamenta outra munícipe.
O Risco da Espera na Crise
Especialistas em saúde mental alertam que, em casos de ideação suicida e depressão grave, a demora no atendimento pode ser fatal. A espera prolongada não apenas atrasa o início do tratamento, mas também intensifica o sentimento de abandono e desesperança no paciente.
O levantamento anterior já havia indicado uma mudança no perfil das vítimas em 2025, com o número de suicídios entre mulheres saltando de 1 (em 2024) para 5. Essa ascendência aponta para novas vulnerabilidades na população, exigindo respostas rápidas e direcionadas do poder público.




































