
O setor de transporte de cargas no Brasil vive dias de tensão com a ameaça real de uma greve nacional em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio.
Caminhoneiros de diferentes regiões do país estão articulando uma paralisação nacional para os próximos dias, em meio ao aumento do custo do diesel e à insatisfação com medidas adotadas pelo governo para conter a alta do combustível. As informações são da “Folha de S.Paulo”.
A Folha destaca que uma das principais críticas do setor é que, poucos dias após o anúncio do pacote de renúncia fiscal do governo para baratear o diesel e reduzir o impacto da crise internacional sobre o combustível, a Petrobras aumentou o preço do diesel nas refinarias, o que, segundo caminhoneiros, anulou o efeito da redução tributária.
Wallace Landim, conhecido como “Chorão” e presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), confirmou que a paralisação pode ser deflagrada até o próximo fim de semana. A articulação entre representantes estaduais está a ser intensificada para alinhar uma data única para o início do movimento.
O principal motivo do descontentamento é a escalada nos preços do diesel S-10, que já acumula alta superior a 7% apenas no início de março, com a média nacional a aproximar-se dos R$ 6,90 por litro, segundo dados da ANP. O cenário é agravado pela valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelos conflitos no Médio Oriente.
Na prática, muitos transportadores já relatam a inviabilidade de operar, optando por recusar cargas em vez de trabalhar com prejuízo.
Embora a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) tenha atualizado a tabela de pisos mínimos de frete na passada sexta-feira (13) — com reajustes de até 7% após o acionamento do “gatilho” previsto na Lei nº 13.703/2018 —, as lideranças da categoria afirmam que a medida é insuficiente.
“Saiu o gatilho, mas não tem fiscalização”, criticou Landim. Além do ajuste nos valores, os caminhoneiros exigem:
- Fiscalização efetiva do piso mínimo de frete;
- Isenção de portagem (pedágio) para veículos vazios;
- Mecanismos que garantam o cumprimento do custo mínimo operacional.
A ameaça de greve surge num momento crítico para a economia brasileira, coincidindo com o pico do escoamento da safra agrícola. Caso a adesão seja significativa, o movimento poderá gerar um efeito dominó: redução da oferta de transporte, nova pressão sobre os preços dos fretes e possíveis falhas no abastecimento de cadeias produtivas em todo o país.




































