
Embora fosse esperado por dezenas de pais, o secretário da Educação de Avaré, César Augusto de Oliveira, não compareceu à sessão legislativa desta segunda (25) para falar sobre o caso da merenda escolar ocorrido dia 14 de agosto.
O vereador Moacir Lima (PSD) havia feito convite formal ao secretário para que ele explicasse o que de fato provocou a falta da merenda nas escolas, deixando milhares de alunos sem alimentação. A proposta também era ouvir a empresa Konserv, que assumiu o serviço.
Contudo, Lima lamentou a ausência do secretário, lendo um ofício enviado por ele, no qual afirma não poder comparecer por orientação da Procuradoria do município, uma vez que o caso já foi denunciado ao Ministério Público e também será investigado pela Câmara Municipal atravessa de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
Os pais presentes à sessão, que foram especialmente para ouvir o secretário, ficaram frustrados – entre eles, a munícipe Mayara Silva César, que no final de semana postou um vídeo, indignada com um “print” do secretário no qual zombaria de algumas críticas feitas por ela no caso da merenda, pelo fato de ela ter sido candidata na última eleição. “Se você foi candidata perde seus direitos? Se torna segregada? Não estou sabendo? Secretário diz que espalhamos desinformação. Qual desinformação”, desabafa ela.
A munícipe, que tem três filhos na rede pública, assim como a maioria das mães criticou a postura da secretaria de não avisar com antecedência a quebra de contrato que geraria enorme transtorno.
Pais e professores também estavam presentes.

Relembre o caso
Para relembrar, no dia 14 milhares de alunos da rede municipal ficaram sem merenda, depois que a empresa – até então responsável pelo serviço – a Sólida Nutrição, tirou os alimentos das escolas, segundo ela, porque teria sido comunicada de última hora sobre o cancelamento dos serviços.
Em nota oficial, a empresa disse ter sido surpreendida com a notícia, mas mostrou um ofício, falando sobre a suspensão do contrato e informando que nova empresa iria assumir a merenda.
A nova empresa, a Konserv, não teria tido tempo de assumir o serviço. A rede estadual, que é abastecida pela prefeitura, recorreu ao Estado para manter a alimentação dos estudantes.
O secretário da Educação, juntamente com o prefeito Roberto Araujo (PL) e seu líder, vereador Pedro Fusco, fizeram um vídeo explicando que o contrato foi cancelado após queda da qualidade das refeições e que até plástico teria sido encontrado, embora não tenham especificado quando o fato ocorreu. Eles garantiram que a merenda seria normalizada.
O dia caótico repercutiu entre pais, professores e diretores; muitas mães questionaram por que a secretaria não emitiu um aviso com antecedência, se sabia do cancelamento do contrato, evitando a polêmica.
A nova empresa contratada pela prefeitura, a Konserv, já foi condenada em alguns processos, inclusive por intoxicação de 40 crianças entre 10 e 13 anos na Escola Estadual Condomínio Vargem Grande II, em Parelheiros, zona sul de São Paulo, conforme apurado pela reportagem do in Foco semana passada. Mesmo assim, a contratação foi mantida.
A Konserv fechou contrato por um ano para o fornecimento da merenda por mais de 5,8 milhões de reais, o menor valor apurado na contratação emergencial.
Ao todo, são quase 15 mil estudantes que recebem merenda em Avaré.




































