A crise na coleta de lixo em Avaré ganhou um novo e dramático capítulo durante a última sessão legislativa, mesmo após as justificativas do secretário Judésio Borges. Vereadores da base do prefeito e também da oposição, pediram a demissão de Borges após o colapso na coleta de lixo.

Pedro Fusco, líder do prefeito na Câmara, utilizou a Tribuna Livre para disparar críticas severas à gestão de Judésio Borges, titular da pasta do Meio Ambiente, chegando a sugerir que o cargo do secretário se tornou insustentável.

Para o parlamentar, o caos gerado pela interrupção do serviço de coleta não foi apenas técnico, mas fruto de uma omissão estratégica. Fusco questionou duramente por que o setor de comunicação não foi acionado para avisar a população com antecedência sobre os problemas com a licitação e a empresa Suma.

“A população quer a rua limpa. Isso não justifica. Falta gestão, falta antecipação”, declarou o vereador, enfatizando que o acúmulo de lixo e os protestos sociais são reflexos diretos de um trabalho mal executado pela secretaria.

O ponto central do discurso de Fusco foi a separação entre a figura do prefeito Roberto Araújo e a atuação do secretário. Segundo o líder, o governo não pode ser prejudicado por erros individuais de seus auxiliares. “O prefeito não pode levar a culpa por causa de secretário. Quando o secretariado falha, o governo vai mal”, pontuou.

Fusco classificou a situação como uma “desorganização administrativa reprovável”, afirmando que as coisas deveriam ter sido feitas dentro do prazo legal para evitar a intervenção do Tribunal de Contas (TCE-SP). Para ele, Roberto Araújo “não pode pagar o preço” por uma falha que tem nome e sobrenome.

Ao final de sua fala, o tom de cobrança ficou claro: o líder do governo entende que a continuidade do secretário Borges compromete a imagem da administração municipal – uma postura totalmente diferente quando a polêmica envolveu – ano passado – a pasta da Saúde, na qual o governo manteve Roslindo Machado, alvo de muitas reclamações.

Já o vereador Hidalgo de Freitas (PSD) foi mais incisivo abordando também a questão do Horto Florestal: “após 9 anos no cargo, agora que ele viu que tem apenas dois funcionários? O entra prefeito, sai prefeito, serve também para secretário? Precisa rever isso. Se não está bom, pede pra sair”.  Freitas, que já havia abordado o tema em outra sessão, classificou de “inaceitável” a conduta do secretário, que segundo ele só “falou abobrinhas”.

O vereador Luiz Claudio da Costa (Podemos) também seguiu a mesma linha. ” Se não está bom, tchau! Pede a conta. Prefeito, tenha coragem de demitir”, desafiou.