Pouco tempo após a paralisação “momentânea” ocorrida em 11 de março, coletores da empresa PASS Ambiental, responsável pela limpeza urbana, entraram em contato com a reportagem para denunciar que as promessas feitas pela administração municipal não saíram do papel até o momento e que a categoria está no limite.

Segundo os colaboradores, o atual ponto de apoio, localizado no Posto Bizungão, é alvo de indignação. Os trabalhadores afirmam enfrentar uma “dificuldade enorme” pela falta de condições mínimas de higiene e dignidade.

Eles afirmam não ter banheiro, refeitório ou local adequado para a troca de roupa. Os caminhões utilizados no serviço foram descritos como estando em “péssimas condições”, o que coloca em risco a segurança da equipe e a eficiência do serviço.

A categoria relembra que, durante a última paralisação, o prefeito Roberto Araújo esteve no local acompanhado de Judésio Borges (Secretário do Meio Ambiente). No entanto, o sentimento é de desilusão. “Eles nunca mais voltaram para saber se os colaboradores foram atendidos”, desabafou um dos funcionários, que preferiu não se identificar por medo de retaliação.

O estopim para uma nova crise é financeiro e disciplinar. A empresa PASS Ambiental sinalizou que irá descontar os três dias referentes à paralisação anterior. Em resposta, os coletores deixaram claro: caso o desconto seja efetuado, o serviço será interrompido novamente, desta vez por tempo indeterminado.

Apesar da postura firme, os trabalhadores demonstram preocupação com o impacto na cidade. “Não queremos de forma alguma prejudicar a população, mas também queremos que nossos direitos sejam respeitados e condições mínimas de trabalho sejam oferecidas”, afirmou um dos líderes do movimento.

Vale lembrar que a PASS Ambiental assumiu o serviço em fevereiro de 2026, por meio de um contrato emergencial de R$ 9,3 milhões, após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) suspender a licitação regular. Desde então, o jornal in Foco tem acompanhado diversas reclamações sobre o acúmulo de lixo em bairros e a redução da frota operacional (de 9 para apenas 5 caminhões).

A prefeitura de Avaré ainda não se manifestou oficialmente sobre as novas ameaças de paralisação.