
Uma enquete realizada recentemente pelo jornal in Foco abriu um canal para que os moradores de Avaré abordassem as prioridades da cidade na visão deles. O resultado, no entanto, foi mais do que uma simples lista de prioridades: foi um desabafo coletivo sobre o que muitos descrevem como um estado de “abandono total”.
Embora os setores de Saúde e Educação tenham sido os mais citados, o tom predominante nos comentários é de que a cidade enfrenta uma crise sistêmica, onde o termo “prioridade” perde o sentido quando tudo parece urgente.
Saúde
A Saúde foi, sem dúvida, o clamor mais alto. Relatos de esperas de mais de 8 horas no Pronto-Socorro, falta de médicos especialistas (como neurologistas) e a escassez de remédios básicos em postos de saúde foram recorrentes.
O caso da jovem Maria Clara Paz e de outras perdas por suposta negligência ainda ecoam na memória da população. A mãe da jovem, Juliana Martins desabafou: “Estou esperando a comissão de saúde vir me procurar até hoje… para me dar uma resposta da morte da minha filha”. A gestão da pasta também é alvo; muitos sugerem que a melhora só virá com a troca do secretariado.
Educação
Para muitos munícipes, a Educação é o único caminho para gerar um povo consciente e, consequentemente, melhorar as outras áreas. No entanto, as críticas atingem o básico: falta de uniformes, materiais escolares e problemas na merenda. Há também um pedido especial pela valorização do funcionalismo público e por maior suporte em terapias para crianças autistas (TEA), uma demanda que cresce sem o devido amparo da prefeitura.
Infraestrutura: ruas de buracos
“Avaré está largada às traças”, afirmou uma moradora, resumindo o sentimento sobre a zeladoria urbana. As reclamações incluem:
- Mato Alto: Praças e terrenos abandonados que atraem animais peçonhentos (como cobras cascavéis).
- Buracos e Lombadas: Críticas severas ao estado das vias e à instalação de lombadas fora dos padrões técnicos.
- Enchentes e Esgoto: Problemas crônicos de drenagem e esgoto a céu aberto em bairros como a Avenida Paranapanema.
- Iluminação: Ruas escuras que geram insegurança.
Crise de Liberdade e Gestão Política
Um ponto que gerou forte indignação foi a relação do Poder Público com a crítica popular. Relatos de munícipes sendo intimados ou processados por opinarem nas redes sociais geraram revolta. “Não quer ser criticado, não entre para a política”, disparou um cidadão.
Além disso, a estrutura administrativa foi questionada. O aumento no número de secretarias e de cargos comissionados, enquanto o atendimento básico falha, é visto como “incompetência articulada” entre os poderes Executivo e Legislativo. Sugestões como a redução de 30 para 10 secretarias e o fim de aluguéis de prédios públicos foram propostas por leitores como alternativas para economizar e investir em exames médicos na rede privada.
O Sentimento Geral
A frase de uma das internautas resume o espírito da enquete: “Difícil ter prioridades quando tudo parece estar desmoronando.” Entre pedidos de novas indústrias para gerar emprego e o desejo de ver a cidade “nos trilhos”, a população de Avaré aguarda que as promessas de campanha deixem o papel e cheguem, finalmente, às ruas e aos postos de saúde.




































