
A cidade de Avaré ainda lamenta a perda brutal da enfermeira Marcia de Fátima Meira, de 40 anos, assassinada na última terça-feira (27) no posto de saúde Vera Cruz. Em meio à profunda comoção pelo primeiro feminicídio do ano no município, lamentavelmente, uma onda de boatos e desinformação tem tentado manchar a memória da vítima e distorcer a verdade sobre a tragédia.
Duas testemunhas entrevistadas pelo in Foco ajudaram a esclarecer alguns pontos de divergências. Uma delas é um agente de saúde que trabalhava com a enfermeira desde 2022 e ajudou a socorrê-la inclusive.
“Antes de tudo, gostaria de esclarecer que essa entrevista é para rebater algumas inverdades que estão rolando, principalmente nas redes sociais. Primeiro: a Márcia não tinha outro relacionamento, não foi esse o motivo da separação. Segundo: ela não ficou pedindo socorro e ninguém fez nada; assim que vimos o real problema já intervimos, mas infelizmente já era tarde. Não houve negligência”, declarou.
Ele descreveu os momentos desesperadores: “Não ouvi o pedido de socorro porque estava na minha sala. Fui alertado por uma auxiliar de enfermagem. Quando bati na porta e chamei pela Márcia, ele abriu a porta no mesmo instante. Por isso não teve porque arrombar a porta. Quando entrei na sala, vi a cena do que tinha acontecido. Minha primeira reação foi chamar ajuda; chamei o médico que estava atendendo, a equipe de enfermagem, pedi pra ligarem para o resgate.”
A segurança das crianças presentes foi a prioridade imediata. “Havia muitas crianças porque tinha atendimento pediátrico – o que era uma preocupação – então pedi para todo mundo sair do posto e fechei o posto. Não sabia o que mais ele poderia fazer”, explicou o colega. Ele também confirmou que o choro ouvido em vídeos nas redes sociais era do próprio agressor.
A enfermeira recebeu todos os cuidados possíveis, com os primeiros socorros sendo prestados incansavelmente até a chegada do Corpo de Bombeiros, cerca de 25 minutos depois. “Falei com a central; quando liguei no Samu foi informado que não tinha ambulância disponível naquele momento”, lamentou o agente.
Segundo ele – que pediu a preservação de sua identidade – nenhum funcionário do posto de saúde percebeu a entrada do ex-marido, que provavelmente acessou a unidade pelos fundos. Imagens da câmera interna mostram o homem, de boné e bermuda, sentado por alguns segundos próximo à sala da enfermeira, antes de invadir e trancar o local para cometer o crime. O agente de saúde, que havia retornado de férias um dia antes da tragédia, soube pelos colegas que o ex-marido já havia aparecido no posto outras vezes.
Márcia é lembrada por sua dedicação inquestionável. “A Márcia como profissional era 100% dedicada, não tinha hora ruim, não inventava desculpas para não trabalhar, muitas vezes fazia mais que sua obrigação para não deixar o paciente sem o devido atendimento. Ela sempre pensava no paciente como um ser humano que precisa de ajuda, elétrica, chegava e ia embora com a mesma energia”, relembrou o colega, com carinho.
Apelo por Justiça
Outro entrevistado, V.M., primo da vítima e testemunha ocular (já que aguardava atendimento no posto), reforça a brutalidade e a frieza do agressor: “Ele entrou pelos fundos e a chamou. Trancou a porta e atacou ela. O médico de plantão que estava lá fez os primeiros socorros juntamente com as enfermeiras. No posto faltava bastante equipamentos mas com o pouco que tinham, conseguiram fazer o máximo até ela ser socorrida. O médico tirou a faca da mão do demônio do homem e em nenhum momento ele demonstrou arrependimento. Dava para ver o olhar de frieza”, descreveu, com indignação.
“Ela se manteve calma até o resgate chegar. Que a justiça seja feita!”, clamou o primo, que também confirmou que o ex-marido teria sido pastor religioso. O criminoso era fisioterapeuta formado pela FMB/UNESP de Botucatu, com especializações em diversas áreas da saúde, e atuava como servidor público estatutário nas Prefeituras de Itaí e Taguaí.
Nota da Redação
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