Nesta quinta, dia 18 de setembro, Bruna Augusta de Freitas, de 26 anos, celebra um aniversário diferente: a marca de um ano de seu renascimento. A data, que para muitos seria apenas mais um dia, é um marco de vida e superação para a jovem avareense, que por pouco não perdeu a vida devido a uma grave negligência médica, segundo ela.

Sua história, relatada ao in Foco recentemente, serviu de alerta sobre a fragilidade da vida e a importância da empatia no sistema de saúde, é um testemunho de fé e resiliência.

O início do pesadelo

Tudo começou em 1º de setembro de 2024, quando um simples desconforto na barriga se transformou em uma corrida desesperada pela sobrevivência. Bruna sentia uma queimação intensa e não conseguia se alimentar direito. Em poucos dias, a dor se intensificou, e seu abdômen inchou de forma alarmante.

Por duas semanas, a jovem peregrinou pelo pronto-socorro municipal de Avaré. Apesar de exames de sangue alarmantes que indicavam uma infecção em estágio avançado, a seriedade de seu quadro não foi reconhecida. Um médico, avaliando um raio-X, descartou a gravidade da situação, atribuindo os sintomas a fezes endurecidas e indicando uma lavagem intestinal — uma decisão que se provou desastrosa.

 

A luta pela vida

O que os médicos não sabiam, e Bruna descobriu da forma mais dolorosa, era que seu intestino já estava necrosado e seu apêndice havia rompido. A lavagem intestinal fez com que o conteúdo necrosado e as fezes se espalhassem por seu abdômen, causando dores indescritíveis. A medicação padrão, que Bruna recebia repetidamente, já não fazia mais efeito.

“Eu ia todos os dias no pronto-socorro e cada hora falavam que era uma coisa; porém, o básico de uma apêndice, eles nem tocaram no nome que poderia ser isso”, conta Bruna, indignada.

A situação atingiu o ápice na noite de 17 de setembro. Bruna mal conseguia andar, mas um médico assustado com seu estado a encaminhou para uma tomografia urgente. O resultado foi devastador: uma “mancha preta no abdômen todo dela”. Ela foi internada imediatamente.

 

O milagre na Santa Casa

Na Santa Casa, o cirurgião Gilberto Pereira de Mendonça se tornou um verdadeiro anjo na vida de Bruna. Ao vê-la, ele foi direto e honesto: “quase não consigo salvar você”. A cirurgia foi um sucesso, mas o desafio era grande. Bruna teve que ter seu intestino grosso e parte do delgado removidos. O médico, no entanto, conseguiu interligar o que restou, poupando a jovem do uso de uma bolsa de colostomia.

“Deitei na maca e comecei a conversar com Deus. (…) Na porta do centro cirúrgico meu pai me acompanhou (…) E dei um beijo nele e ele começou a chorar (…) e eu falei a seguinte frase: PAI, NÃO CHORA, EU VOLTO, ATÉ DAQUI A POUCO…”, lembra Bruna, com emoção.

Após seis longos dias na UTI, onde foram retirados um litro e meio de pus de seu abdômen, Bruna se recuperou. Foram necessários transfusões de sangue, mas sua força de vontade e fé eram maiores. “Eu tenho tanto orgulho da minha cicatriz que ficou”, afirma, exibindo a marca de seu renascimento.

 

Um novo começo

Hoje, Bruna vive uma vida normal, sem sequelas físicas. A experiência, no entanto, deixou cicatrizes emocionais. Ela, que ponderou buscar justiça contra os responsáveis, decidiu focar em sua saúde mental e superação.

Seu relato é um grito de alerta e um testemunho de fé. “Me dói ver tantas pessoas partindo por negligência médica. Eu fui uma dessas pessoas… Mas sobrevivi… Tive uma segunda chance. Já as outras não”, finaliza, com um misto de gratidão e indignação.