A combinação de chuvas típicas de verão e a falta de manutenção na zeladoria urbana tem tirado o sono dos moradores de Avaré. A principal queixa da população é o crescimento desenfreado do mato em terrenos baldios, praças e calçadas, o que, segundo especialistas e os próprios munícipes, aumenta drasticamente o risco de uma epidemia de dengue na cidade.

Diferente do que muitos pensam, o mato alto por si só não é o criadouro do mosquito, mas ele funciona como um “escudo”. A vegetação densa esconde o lixo descartado irregularmente — como latas, garrafas plásticas e sacos — que acumula água da chuva, tornando-se o ambiente perfeito para a reprodução do Aedes aegypti.

Além disso, o matagal proporciona a umidade e a sombra que o mosquito precisa para descansar durante as horas mais quentes do dia. “Não conseguimos nem sentar na frente de casa. É muito mosquito saindo dos terrenos ao lado. O mato está passando de um metro de altura e ninguém vem limpar”, reclama um morador do bairro Plimec.

Outro morador, desta vez do residencial Avaré 1, reclama da falta de cuidado com a praça do bairro, Vereador Duílio Contrucci Gambini, tomada pelo mato. “Fora as ruas cheias de buracos e mato alto pra todo lado;  acompanho seu jornal e vejo que a cidade inteira está abandonada”, diz ele. As fotos inclusive ilustram essa matéria.

 

Insegurança e Animais Peçonhentos

O problema vai além das arboviroses. A falta de roçada em diversos bairros de Avaré também tem atraído animais peçonhentos, como escorpiões e aranhas, que encontram abrigo seguro sob a folhagem. Pais de crianças pequenas relatam medo de deixar os filhos brincarem próximos a áreas verdes que não recebem manutenção há meses.

Até a segunda quinzena de janeiro de 2026, o painel de monitoramento do estado já confirmou os primeiros casos de dengue no município. Segundo o Estado, Avaré teria dois casos confirmados; já a pasta da Saúde local alega que há apenas um caso confirmado e um sob suspeita, de acordo com nota oficial emitida essa semana.

A prefeitura tem sido cobrada para intensificar a fiscalização de terrenos particulares e para agilizar o cronograma de limpeza das áreas públicas.

A orientação para os proprietários de imóveis é que mantenham a roçada em dia, sob risco de multa, enquanto os munícipes podem registrar denúncias via Ouvidoria Municipal.