
O que deveria ser um direito básico garantido pela Constituição tornou-se uma prova de resistência — e, em muitos casos, de sobrevivência — para os moradores de Avaré.
Após a repercussão de um vídeo da jornalista Cida Koch, que revelou ter aguardado quatro anos para conseguir realizar uma ressonância magnética na rede pública municipal, uma onda de desabafos tomou conta das redes sociais, expondo o lado invisível e doloroso das filas da Secretaria Municipal de Saúde.
Os relatos, que chegam de diversos bairros e diferentes especialidades, desenham um cenário de precariedade na gestão pública e falta de agilidade no sistema de regulação.
O caso mais alarmante entre os depoimentos é o de Neiva Taborda. Encaminhada para um gastroenterologista no AME, a demora na rede municipal a obrigou a buscar recursos próprios. O diagnóstico foi severo: câncer. Neiva foi operada às pressas em Jaú e já estava em tratamento quimioterápico quando, um ano depois, recebeu a ligação da prefeitura agendando a consulta inicial. “Se eu tivesse esperado, não estaria mais aqui”, desabafa.
A situação se repete com Marildo Euphasio, que aguardava há um ano por um dermatologista. Sem resposta local, conseguiu atendimento e cirurgia em outra cidade há oito meses, enquanto a guia de Avaré só foi liberada nesta semana.
Para muitos, o sentimento é de abandono. Rosa Celestino Vieira aguarda há três anos por uma cirurgia de hérnia umbilical e teme que sua idade avance a ponto de o procedimento se tornar inviável. Já Ivana Stelzer relata que sua situação clínica só piora enquanto aguarda, desde outubro de 2023, por um neurocirurgião — especialista que, segundo ela, existia na cidade, mas agora depende de encaminhamento para a UNESP em Botucatu.
A lentidão não poupa nem quem tenta a prevenção. Claudineia Procopio marcou um cardiologista preventivo em junho de 2025, sendo atendida apenas no último dia 10 de março, quase nove meses depois.
As reclamações apontam para uma “saúde mal administrada”, como define Karina Morello, cuja filha aguarda exames neurológicos desde 2024. O munícipe Carlos Rodrigo afirma ter recorrido a quatro vereadores e ao secretário para tentar realizar uma cirurgia pendente há dois anos, mas confessa ter “perdido a esperança”.
O portal in Foco segue acompanhando os desdobramentos da gestão da saúde em Avaré.




































