Um munícipe denunciou na tarde desta segunda (20) através de registros um desmatamento no Horto Florestal Neto Guazzelli de Avaré, uma importante área de mata nativa no município. Os registros feitos pelo munícipe, mostram maquinário e árvores cortadas dentro do parque, considerado um cartão-postal da cidade, além de abrigar um ecossistema vital.

Conhecido localmente como um refúgio verde, o horto é uma área sob responsabilidade do poder público municipal atualmente.

A denúncia, envolvendo corte de vegetação em uma área de presumida proteção integral ou de uso sustentável rigorosamente regulamentado, levanta preocupações imediatas sobre a legalidade da ação e as possíveis consequências ambientais.

O munícipe relatou que trabalhadores que estavam no local retirando madeira, disseram que a retirada teria sido autorizada pela Justiça e que o secretário do Meio Ambiente, Judesio Borges, estaria ciente da ação.

Questionado sobre o assunto, o secretário de Comunicação, Angelo Zanotto, ao invés de enviar resposta ao in Foco, encaminhou nota à imprensa, alegando “medidas administrativas e judiciais estão sento tomadas” e que a ação foi autorizada pela Fundação Florestal do Estado, descumprindo decisão judicial.

Ano passado, de fato a Fundação Florestal leiloou um lote para extração de goma de resina de pinus (clique aqui para ver) através do Processo 262.00002651/2024-57 (Parecer AJ nº 119/2024) com nota Técnica da Comissão Especial de Transição da SGGD nº (0023754795).

 

Veja a nota da prefeitura de Avaré

Nota para a imprensa – Secretaria Municipal do Meio Ambiente

Ocorreu na tarde desta segunda-feira, dia 20, no Horto Florestal de Avaré, o corte de árvores nativas e exóticas de médio e grande porte que pertencem à área do horto, entre a estrada dos 3 coqueiros, próximo à divisa com o bairro Vereda do Sol.

A ação foi autorizada e realizada pela Fundação Florestal do Estado, descumprindo a decisão de mandado  judicial liminar, expedido pelo juiz de direito Dr. Augusto Bruno Mandelli, em favor do Município de Avaré.

As atividades foram suspensas após a intervenção do secretário do Meio Ambiente, Judésio Borges, e medidas judiciais e administrativas estão sendo tomadas.

Área que teria sido leiloada

Mais sobre o Horto

A Floresta Estadual de Avaré I, ou Horto de Avaré, como é conhecida, foi criada em 1945. A área do Horto antes constituía quatro propriedades rurais, a maior delas, com 92 hectares, pertencia a Carlos Braz Caldeira, que residiu com a família no casarão centenário que abriga, hoje, o escritório da unidade.

Há registros de atividades desportivas no lago do Horto já em 1945 e a visitação pública e recreação associadas ao corpo-d’água, com quase 40.000 m² de superfície, sempre figurou entre as principais opções de lazer. A área original do Horto, de 106,54 ha, foi reduzida para os atuais 95,30 ha para a construção da penitenciária regional.

A vegetação é formada em boa parte por florestas implantadas, de pínus e eucalipto. São registradas também espécies nativas como pau-jacaré, gorocaia, guaçatonga, figueira-mata-pau, copaíba, angico, pau-pólvora, juçara, guarantã, cedro-rosa, canjerana, entre outras.

Desde 2017 sua concessão foi transferida ao município.