Cerca de oito pessoas estão sendo intimadas a depor em Avaré, sob acusações de supostas calúnias e difamações ao prefeito Roberto de Araujo (PL). A informação foi confirmada pela Seccional de Polícia e desmente boatos de que haveria quase 100 pessoas na lista destes procedimentos policiais. A maior parte destes munícipes deve ser ouvida ainda essa semana.

Conforme relatos de alguns eleitores ao in Foco, eles estariam estão sendo alvo de ações judiciais apenas por terem feito comentários ou críticas à gestão nas plataformas digitais, sem supostamente, ofensa a honra do alcaide.

Os comentários se referem a problemas na cidade — como buracos nas ruas, qualidade de serviços públicos, caos na saúde, merenda escolar ou críticas a decisões administrativas — que estão sendo – em tese – interpretados pela gestão como difamatórios ou injuriosos.

Alguns boatos também afirmavam que o líder do prefeito, vereador Pedro Fusco, estaria “comandando” essa onda de judicializações. Procurado pelo in Foco, ele negou. “Não tenho tempo para isso”, disse, enfatizando que foi vítima de ataques de um fake – o que gerou um boletim de ocorrência.

Em maio deste ano, um munícipe M.J. reclamou estar sendo processado porque escreveu : “Político é tudo igual” – o que levou o prefeito Roberto Araujo (PL) a processá-lo alegando “difamação”.

Embora a frase seja um jargão comum e não ofensiva já que não faz nenhuma comparação em si, ela teria sido o principal motivo de o governo judicializar a questão. Também este ano, a jornalista do in Foco, Cida Koch, quase foi processada também,  apenas porque o presidente da Câmara, Samuel Paes (PSD) teria se sentido ofendido com questionamentos relativos a suposta compra da Frea – algo que ainda não foi respondido até hoje. O Ministério Público julgou improcedente.

Esta prática do governo é entendida por alguns advogados como uma tentativa de intimidar os cidadãos a exporem suas divergências, sem obviamente ofender ou criminalizar o agente político.