Em meio à dor pela confirmação da morte da bebê cujo corpo foi encontrado ontem (19) pelos bombeiros, um manifesto de solidariedade partiu daqueles que conviviam diariamente com a mãe, Amanda Christina Batista Rodrigero. A Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade, onde Amanda atua como profissional, quebrou o silêncio para pedir empatia e proteção à imagem da colega.

A nota, escrita com o que os funcionários descrevem como “coração apertado”, destoa do tom frio dos inquéritos policiais. Nela, Amanda é descrita não como uma suspeita, mas como uma profissional exemplar. A equipe reforça que ela sempre foi uma “pessoa de luz” entre os colegas, marcada pela prontidão em ajudar.

Um dos pontos mais fortes do comunicado é o pedido direto à comunidade para que cesse as especulações e os ataques em redes sociais. A UBS enfatiza que o caso não deve ser tratado como objeto de curiosidade, mas como uma tragédia familiar que exige acolhimento.

“Esta não é uma história para curiosidade ou críticas, mas uma dor que pede empatia. Por trás desta tragédia há uma mãe em sofrimento, uma família destruída pela dor e uma equipe inteira que chora junto”, diz o trecho da nota.

A manifestação da UBS reforça a tese de que o ocorrido pode estar intrinsecamente ligado a um sofrimento psíquico silencioso. A equipe de saúde faz um apelo para que a sociedade aprenda a “olhar com mais compaixão para quem sofre em silêncio”, sugerindo que, por trás da fachada de uma profissional dedicada, havia uma dor invisível que culminou no episódio no Rio Pardo.

Enquanto a Polícia Civil segue o rito legal e as investigações sobre o infanticídio, o clima na cidade é de luto duplo: pela perda do bebê e pelo destino de Amanda. A nota termina com um pedido de orações e misericórdia, sinalizando que, para os colegas de profissão, o julgamento deve ser substituído pelo suporte emocional neste momento de crise.

 

Relembre o caso

Amanda Christina Batista Rodrigero, de 31 anos, foi presa e está sendo investigada por infanticídio após o corpo de sua filha, de apenas 20 dias, ser localizado nas águas do Rio Pardo.

O caso chocou a região nesta semana. Imagens de câmeras de segurança, que já estão em posse da Polícia Civil, registraram o momento em que Amanda estacionou seu veículo e caminhou em direção às margens do rio carregando a bebê no colo. Testemunhas relataram ter visto a mulher entrar na água, o que deu início imediato à mobilização do Corpo de Bombeiros.

Amanda foi resgatada com vida na cidade vizinha de Óleo (SP), a cerca de 14 quilômetros de distância do ponto onde entrou no rio. Ela estava consciente, mas o paradeiro da criança permaneceu um mistério por mais de 48 horas.

Após intensas buscas que envolveram mergulhadores e o monitoramento de correntezas, o corpo da pequena Melissa foi encontrado nesta sexta-feira (20), a aproximadamente 1,5 quilômetro abaixo do local do incidente, próximo à região de uma lagoa de tratamento.

Segundo depoimentos colhidos, Amanda alegou sofrer de depressão pós-parto. O marido da acusada também mencionou às autoridades um histórico de casos de suicídio na família, reforçando a possibilidade de um surto psicótico ou instabilidade emocional grave.

O caso segue sob forte comoção em toda a região de Avaré e Águas de Santa Bárbara.

Veja a nota da UBS na íntegra:

“Hoje nossa equipe fala com o coração apertado.
A Unidade Básica de Saúde manifesta seu profundo pesar diante da tragédia que envolve nossa colega Amanda e sua família. Vivemos um momento de profunda dor pela perda de um bebê e pelo sofrimento imenso de uma mãe e de todos os seus familiares.
Amanda é uma profissional dedicada, humana, sempre disposta a ajudar, carinhosa com todos e comprometida com o cuidado ao próximo. Sempre foi uma pessoa de luz entre nós: generosa, presente e preocupada com todos ao seu redor.
Neste momento, não existem palavras que expliquem tamanha dor. Só existe a necessidade de silêncio, respeito e acolhimento.
Pedimos à comunidade que evite julgamentos, comentários e especulações. Esta não é uma história para curiosidade ou críticas, mas uma dor que pede empatia. Por trás desta tragédia há uma mãe em sofrimento, uma família destruida pela dor e uma equipe inteira que chora junto.
Que possamos, como sociedade, aprender a olhar com mais compaixão para quem sofre em silêncio. Que este seja um tempo de oração, humanidade e intercessão.
Nos colocamos em oração por essa família e por todos os envolvidos, pedindo a Deus conforto, força e misericórdia onde hoje só existe dor.
Respeito. Silêncio. Oração.
Equipe UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE”