
Em uma noite marcada pela solidariedade e pelo compromisso com a saúde infantil, os Rotary Clubs de Avaré-Jurumirim, Cerqueira César e Taquarituba realizaram, na última quinta-feira (12), uma importante palestra com o tema “Mudando a vida das crianças com Pé Torto Congênito no Brasil”. O encontro aconteceu no Ambulatório de Ortopedia da Santa Casa de Misericórdia de Avaré.
O evento destacou a importância do tratamento precoce da condição que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta um em cada mil bebês. Quando tratada corretamente desde o início, a criança pode ter um desenvolvimento e qualidade de vida absolutamente normais.
Um dos momentos altos da noite foi a homenagem prestada aos médicos ortopedistas Ricardo Innecco de Castro e Mauro Leme. Ambos foram reconhecidos pelo trabalho humanitário e pela dedicação técnica em transformar a realidade de famílias que convivem com a má-formação.
Ricardo Innecco, integrante do Rotary Club São Carlos Norte, compartilhou sua experiência na coordenação de um projeto internacional que já viabilizou cerca de 1,6 mil órteses em diversas regiões do Brasil, em uma parceria entre a Fundação Rotária, o Rotary Club de São Carlos e o Rotary Club Willich, da Alemanha.
Em Avaré, o tratamento é realizado gratuitamente há mais de uma década pelo ortopedista infantil Mauro Leme, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia.
Através da Associação Passo Amigo, projeto idealizado por ele, dezenas de crianças de Avaré e região já foram atendidas. Seu empenho tem sido fundamental para garantir que o diagnóstico e o suporte cheguem a quem mais precisa, unindo excelência médica e alcance social.
Na noite de ontem (12) o ortopedista apresentou inclusive dois pacientes; uma menina de 12 anos, que foi a primeira a ser atendida por ele e que hoje tem vida normal e um bebê que iniciou o protocolo de tratamento, um momento que emocionou a todos.
A noite também foi de homenagens, reconhecimento e também entregas. Os Rotarys realizaram a doação de novas órteses para a implementação e reforço do Banco de Equipamentos mantido pelos Rotarys, do qual o Avaré-Jurumirim faz parte.
O banco, que já é referência mundial na comunidade pelo empréstimo solidário de cadeiras de rodas e camas hospitalares, agora conta com órteses específicas para o tratamento do Pé Torto Congênito. Essa expansão garante que o suporte às crianças em tratamento seja contínuo e acessível, consolidando a cooperação internacional e regional em prol da saúde e inclusão.



Saiba mais
O Pé Torto Congênito (PTC), muitas vezes referido como síndrome do pé torto, é uma malformação congênita que ocorre durante o desenvolvimento do bebê ainda no útero. É uma das anomalias ortopédicas mais comuns ao nascimento, afetando aproximadamente 1 em cada 1.000 recém-nascidos. Aqui estão os pontos principais para entender a condição e a importância do tratamento:
- O que caracteriza o Pé Torto?
Diferente de uma posição viciosa (quando o pé apenas ficou “apertado” no útero e volta ao normal com alongamentos), o PTC verdadeiro envolve alterações nos ossos, músculos, tendões e vasos sanguíneos do pé e da perna.
O pé apresenta-se virado para dentro e para baixo (equinovaro).
O calcanhar é elevado e a planta do pé fica voltada para o outro pé.
Pode afetar apenas um pé (unilateral) ou ambos (bilateral).
- Causas e Diagnóstico
A causa exata ainda é desconhecida (idiopática), mas acredita-se em uma combinação de fatores genéticos e ambientais.
Diagnóstico Pré-natal: Muitas vezes é detectado no ultrassom morfológico a partir da 20ª semana de gestação.
Diagnóstico Pós-natal: É visível imediatamente ao nascimento através do exame físico feito pelo pediatra ou ortopedista.
- O Padrão Ouro de Tratamento: Método Ponseti
Antigamente, a correção era feita com cirurgias complexas. Hoje, o padrão mundial é o Método Ponseti, que é minimamente invasivo e extremamente eficaz (com mais de 90% de sucesso):
Gessos Seriados: O médico faz manipulações suaves no pé do bebê e coloca gessos semanais (geralmente de 5 a 7 trocas) para levar o pé gradualmente à posição correta.
Tenotomia do Aquiles: Uma pequena incisão (muitas vezes feita com anestesia local) para liberar o tendão de Aquiles e corrigir o encurtamento do calcanhar.
Órtese de Abdução (Botinha): Esta é a fase mais longa. A criança usa uma bota conectada por uma barra para manter a correção. O uso é integral nos primeiros meses e depois apenas para dormir até os 4 ou 5 anos de idade.
- Qualidade de Vida
O ponto mais importante, que médicos como o Dr. Mauro Leme e o Dr. Ricardo Innecco reforçam, é que o diagnóstico precoce muda tudo.
Sem tratamento: A criança terá dificuldade para andar, sentirá dores crônicas e sofrerá com o estima social de uma deficiência física visível.
Com tratamento: A criança corre, pula, pratica esportes e calça sapatos normais. O pé fica funcional e flexível, permitindo uma vida completamente normal.




































