
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) Regional, responsável pelo socorro em 19 municípios da nossa região, estaria atravessando uma hipotética crise administrativa.
Como já noticiado pelo in Foco, informações extraoficiais apontam que, por suposta negligência administrativa, o serviço teria perdido a “qualificação” junto ao Ministério da Saúde — um selo técnico essencial que garante o repasse de verbas federais complementares.
Na prática, a falha não seria por escassez de dinheiro no Governo Federal, mas por uma “lição de casa” não feita: a ausência do envio de dados básicos, como fotos de veículos, comprovantes de manutenção e registros das bases no sistema digital. Sem essa prestação de contas, o governo entende que o padrão exigido não está sendo cumprido e corta quase metade dos repasses mensais destinados à manutenção de ambulâncias e equipes.
A situação é alarmante segundo alguns depoimentos. Além da perda financeira, relatos indicam que o Núcleo de Educação Permanente (NEP), setor obrigatório para o treinamento de profissionais, estaria inativo há mais de três anos. “O SAMU virou local de ‘castigo’ político. Estão colocando motoristas de outros setores, sem treinamento específico para emergências”, afirma um ex-colaborador sob condição de anonimato.
A penalização atinge diretamente as bases descentralizadas de Cerqueira César, Paranapanema, Itaí, Taquarituba, Taguaí, Fartura e Itaporanga. Sem a verba de qualificação, a região perde o direito de receber novas ambulâncias, e o custo de manter o serviço em funcionamento recai pesadamente sobre os cofres municipais.
O silêncio da AMVAPA
O in Foco tem acompanhado o caso de perto. Após a veiculação da primeira matéria no dia 16 de fevereiro, um coordenador de regulação do SAMU, identificado apenas como Geraldo, retornou ao email enviando pelo jornal no dia 20, quatro dias após o encaminhamento da matéria, alegando que haveria “informações incorretas” na reportagem e solicitando uma reunião presencial para esclarecimentos.
Prezando pela transparência e pelo registro oficial dos fatos, a reportagem solicitou que tais esclarecimentos fossem enviados por escrito. No entanto, até o fechamento desta edição, não houve qualquer retorno formal da AMVAPA (Associação dos Municípios do Vale do Paranapanema).
Informações extraoficiais sugerem que dirigentes estariam tentando reunir documentos e provas para, em tese, reverter a desqualificação junto ao Ministério da Saúde. Enquanto as respostas oficiais não chegam, a população da região segue sob o risco de um serviço sucateado por falhas que poderiam ter sido evitadas com gestão e transparência.
O que é a Qualificação?
A qualificação é o processo pelo qual o Ministério da Saúde certifica que o SAMU está operando com qualidade. Ela precisa ser renovada a cada três anos. Quando o serviço perde esse status, as consequências são imediatas:
- Corte de Verbas: Interrupção imediata de recursos federais específicos.
- Sobrecarga Municipal: As prefeituras precisam assumir sozinhas o custo das equipes e veículos.
- Fim da Expansão: Fica proibida a instalação de novas bases ou a renovação da frota com envio de veículos novos pelo Governo Federal.




































