A secretária Ana Rita Pilar Guite, da Inclusão e Transtorno do Espectro Autista de Avaré, compareceu à sessão legislativa desta segunda (06) para esclarecer várias dúvidas sobre sua pasta, mas apesar de ser sabatinada por mais de uma hora, pelos 13 vereadores não conseguiu sanar claramente as incertezas, nem dar respostas concretas às mães atípicas que estavam presentes.

Para contextualizar, a secretária tinha sido convidada pelo vereador Moacir Lima (PSD) para explanar na segunda passada sobre questões ligadas à sua pasta que tem sido criticada pela inércia, mas ela teve compromissos e não pode comparecer.

Ana Rita foi nomeada em fevereiro deste ano e vem sendo cobrada após oito meses por mães atípicas, de ações e atendimentos para atender a causa. Semana passada, um grupo inclusive enviou ao in Foco, uma Nota Pública de Indignação, manifestando profunda indignação com a pasta.

“A falta de ação efetiva e o silêncio diante de nossas demandas ignoram as dificuldades diárias que enfrentamos (…). Por isso, reiteramos que o poder público atenda nossas necessidades e demandas com respostas e soluções concretas”, dizia um trecho do documento.

Por isso, a expectativa das mães era grande com relação à presença da secretária no plenário legislativo. Contudo, elas não puderam fazer nenhum tipo de questionamento por determinação do presidente da casa, Samuel Paes (PSD); aos vereadores foi facultado o direito de duas perguntas a cada um.

Em meio a sua fala, a secretária mostrou um vídeo de reuniões, eventos e visitas que participou desde sua nomeação. Ela acabou revelando que a primeira emenda parlamentar de sua pasta teria sido “perdida” por questões burocráticas regulamentares, mas que teria conseguido 350 mil reais.

Porém, questionada algumas vezes sobre os planos de atendimentos, número de crianças atendidas, nomes de profissionais envolvidos na causa, entre outras questões técnicas, a secretária não conseguiu responder com clareza, afirmando que apenas recentemente teria conseguido uma sala e que o material utilizado teria sido doado.

Ela não deu detalhes concretos sobre as próximas iniciativas da pasta, alegando que tem que atualizar o cadastro de autistas e está analisando o planejamento. Ao falar das terapias que o município oferece atualmente ela falou sobre o projeto Guri (terapia musical), APAE, Associação Arco Irís e disse que a piscina municipal terá aulas de natação em breve, sem citar a equoterapia realizada por uma ong. Ana anunciou uma parceria com o curso de psicologia da UniFSP e odontologia para crianças autistas, além de mostrar a sala de acolhimento que instalou em sua sala.

Questionada sobre sua formação, ela informou que é terapeuta e sua experiência com autismo seria através de trabalho voluntário.

Dois momentos tensos da sabatina envolveram os vereadores Luiz Claudio da Costa (Podemos) e Moacir Lima (PSD), autor do convite à secretária com o presidente da Câmara.

O primeiro foi interceptado pelo presidente após perguntar a secretária quem a teria indicado para o cargo, atendendo a rumores de que Paes a teria indicado, o que nunca foi confirmado. Afirmando ser ‘legalista’, o presidente argumentou que Costa já teria feito duas perguntas e não poderia fazer a terceira.

Já Moacir Lima, que desde o início questionou o presidente sobre a limitação de perguntas por determinação do presidente, mesmo explicando que uma pergunta continha uma serie de questões a pedido das mães, foi interrompido por Paes – atitude que o edil deixou claro em sua palavra livre. “Fui desrespeitado e tive meu direito cerceado. Essa casa é do Povo”, enfatizou.

Em sua fala, Paes negou que tenha cerceado o vereador. “Deliberei de forma justa”. No final da sessão, ele pediu desculpas.

Em vários momentos, antes da própria secretária responder, o presidente se antecipava, enquanto mães atípicas se dividiram no plenário; uma parte protestava contra a censura à elas; outra parte, aplaudia a secretária.

O vereador Jairinho do Paineiras, ao fazer um questionamento, disse que as emendas virão a partir de fevereiro de 2026 – que foi confirmado pela secretária, ou seja, após um ano da criação dessa e de outras 27 secretarias – o que causa estranheza, já que o principal argumento para a criação das secretarias é o recebimento das emendas.

Ficou acertado que será marcada uma audiência pública com a secretária para que as mães possam se manifestar.

 

Mães protestaram contra o fato de terem sido supostamente censuradas
A mãe Julianne Oliveira criou uma mensagem especial para a sessão, refletindo a necessidade da causa