Servidores públicos municipais e alguns candidatos que teriam participado do concurso Público nº 03/2025 da Prefeitura Municipal de Avaré, sob responsabilidade da banca INDEPAC, procuraram a redação do in Foco para fazer uma série de denúncias e questionam supostamente a credibilidade das provas.

Segundo eles, o que deveria ser um processo seletivo pautado pela meritocracia está sendo alvo de denúncias de irregularidades, que vão desde a reconvocação ilegal de candidatos já reprovados em testes físicos até a substituição suspeita de examinadores em provas práticas. Relatos obtidos com exclusividade pelo portal in Foco detalham um cenário de suposto favorecimento e violação direta dos princípios constitucionais da administração pública.

A maior polêmica envolve o Teste de Aptidão Física (TAF) realizado em 09 de março de 2026, no Ginásio Kim Negrão. Naquela data, candidatos aos cargos de Agente de Saneamento e Vetores, Agente de Fiscalização, Monitor e Oficial de Manutenção realizaram testes de dinamometria (força dorsal, manual e escapular), flexão e abdominais. O local, por ser coberto, oferecia condições idênticas a todos, independentemente do clima externo.

Entretanto, devido às fortes chuvas que alagaram o campo municipal externo, as provas de barra e corrida foram adiadas. O problema reside no que aconteceu após esse adiamento. No dia 16 de março, a Prefeitura publicou uma reconvocação que, de forma inédita, incluiu candidatos que já haviam sido formalmente reprovados nos testes de força e abdominais dentro do ginásio.

O TAF de agente de saneamento e vetores e o de agente de fiscalização foi realizado dia 09; o de monitor dia 10 e os de oficial de manutenção e serviços como eram muitos candidatos foram realizados nos dias 11, 12 e 13 de março, lembra um dos reclamantes. “É ilegal dar uma segunda chance para quem já foi eliminado”, afirma um denunciante, que é servidor municipal.

Impugnação 

Um documento enviado por outro candidatos, afirma que a suspensão da corrida e da barra por fatores climáticos não tem o poder de anular as reprovações consolidadas em outras etapas concluídas sem interferência externa. O documento cita a violação de três pilares fundamentais:

  • Princípio da Legalidade: A administração só pode agir conforme o edital.
  • Vinculação ao Edital: As regras de eliminação devem ser cumpridas rigorosamente.
  • Isonomia: Candidatos que não atingiram os índices mínimos estão recebendo um tratamento privilegiado em relação aos que foram aptos ou aos que virão a ser prejudicados pela reentrada de desclassificados.

A Prova de Serralheiro

As irregularidades não param no TAF. Uma denúncia paralela aponta para uma suposta interferência direta na banca avaliadora da prova prática para o cargo de Serralheiro. De acordo com os relatos, um profissional concursado com mais de 20 anos de experiência foi removido da banca examinadora sem justificativa oficial.

No seu lugar, teria sido escalado um servidor que atua como pedreiro/oficial de serviços gerais, sem conhecimento técnico em solda e cálculos complexos de serralheria. Coincidentemente, sob essa nova avaliação, o atual chefe da garagem municipal, que também era candidato, obteve o 2º lugar na classificação geral, enquanto profissionais experientes da área foram desqualificados ou receberam notas mínimas.

Medo de Retaliação 

Entre os reclamantes, os servidores que levaram as denúncias adiante expressam um profundo temor de perseguição política. Um deles relatou que já sofreu transferências punitivas no passado por não se alinhar a diretrizes administrativas questionáveis e teme que sua carreira seja novamente prejudicada por expor a verdade sobre o concurso.

Candidatos prejudicados já se mobilizam para ingressar com mandados de segurança no Judiciário para paralisar o certame e garantir que as eliminações do TAF sejam mantidas. A comparação com episódios anteriores de desorganização, como no concurso para Agente Comunitário de Saúde, reforça a percepção de que o erro não é um fato isolado, mas uma prática recorrente.

O portal in Foco continuará acompanhando o desdobramento deste caso, aguardando um posicionamento oficial da Prefeitura de Avaré e da banca INDEPAC sobre as graves acusações de quebra de isonomia e manipulação de resultados.

A reportagem será enviada à secretaria de Comunicação e ao Ministério Público.