
O que começou como uma operação policial de busca e apreensão em janeiro de 2026, no município de Taguaí, transformou-se em um complexo imbróglio jurídico que expõe as vísceras de uma denúncia que a defesa aponta como integralmente falsa.
No centro da polêmica está um médico P.R.P.A., acusado de instrumentalizar o aparato estatal para atingir vizinhos por motivos de animosidade pessoal.
De acordo com os autos do processo (nº 1500678-21.2026.8.26.0392), o médico, que atua no Pronto Socorro Municipal de Taguaí, informou à Polícia Civil ter atendido uma paciente em estado de “choque anafilático gravíssimo”. Ele alegou que o quadro teria sido causado pelo uso do medicamento Tirzepatida, supostamente fornecido por seus vizinhos, G.A.A.O e P.A.O.C.
Com base nesse relato, a Justiça de Bauru autorizou mandados de busca e apreensão na residência da família no dia 26 de janeiro. No entanto, documentos obtidos pela reportagem revelam que a versão do médico colide frontalmente com a realidade dos fatos registrados em cartório.
A própria paciente citada pelo médico, R.E. C., lavrou uma declaração com firma reconhecida afirmando que seu atendimento foi motivado por uma reação alérgica a um procedimento estético e queda de pressão — negando qualquer relação com substâncias fornecidas pelos vizinhos ou risco de óbito.
Outra moradora, M.I.R.C.S. também citada como compradora dos remédios, classificou as informações do médico como “integralmente inverídicas”. O agravante que sustenta a tese de perseguição é a proximidade: o médico e o investigado, que moram na mesma rua, a apenas uma casa de distância. Além disso, G. cursa Medicina no Paraguai, mesmo país onde o P.R.se formou, o que reforça a hipótese de rivalidade profissional.
O desdobramento mais dramático do caso envolve o filho da mulher, um menor de apenas 9 anos. Durante a invasão policial à residência, a criança entrou em choque. O prontuário da Santa Casa de Taguaí registra vômitos e dor aguda decorrentes de “situação familiar estressante”.
A gravidade do trauma psicológico foi tamanha que a equipe médica precisou administrar medicação intravenosa e Clonazepam (Rivotril®), um sedativo de uso controlado raramente prescrito para pacientes pediátricos nessa faixa etária. Segundo a família, o menor ainda apresenta sequelas psiquiátricas.
A defesa da família, liderada pela Dra. Débora Carolina Monteiro e coordenada pelo Dr. Alfredo Cordeiro, iniciou uma série de medidas judiciais:
- Habeas Corpus (TJSP): Busca anular todas as provas da busca e apreensão, baseando-se na “Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada” (se a base da denúncia é falsa, a prova é ilícita).
- Notícia-Crime: Representação por denunciação caluniosa, violação de sigilo profissional e falsidade ideológica.
- Representação no CRM-SP: Pedido de abertura de processo ético por infrações ao Código de Ética Médica, incluindo sensacionalismo em redes sociais.
- Ação de Danos Morais: Movida por M. I. perante o JEC de Taquarituba.
Além disso, a defesa enviou nota ao in Foco, com todas informações e dados contidos nesta matéria, incluindo habeas corpus.
Um dado relevante apontado pelos documentos aponta que a situação profissional do médico seria precária. Formado no Paraguai, ele exerce a medicina por força de uma liminar da Justiça Federal de Londrina/PR, que suspendeu a revogação de sua aprovação no Revalida 2021. Seu CRM estaria também condicionado à manutenção dessa medida judicial, que ainda aguarda julgamento de mérito.
Em nota, a Dra. Débora Carolina Monteiro destaca a gravidade da violência institucional sofrida pela família: “Uma família foi devastada e uma criança traumatizada porque um médico utilizou sua fé pública funcional para instrumentalizar o Estado contra vizinhos por animosidade pessoal.”
O portal in Foco segue acompanhando o caso e mantém o espaço aberto para todos os envolvidos.
Relembre o caso
Em janeiro, a Delegacia de Polícia de Taguaí, apreendeu injeções emagrecedoras do tipo Tirzec 15, substância à base de tirzepatida cuja comercialização é proibida no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão no município.
Segundo matéria enviada pela PC à imprensa, a ação policial ocorreu em dois endereços residenciais, localizados na região central da cidade e no bairro CDHU, em cumprimento a ordem judicial expedida pelo Poder Judiciário.
Durante as diligências, os policiais localizaram e apreenderam ampolas de Tirzec 15 e TG 15, algumas lacradas e uma já aberta, além de seringas, agulhas e outros materiais médicos, indicando possível uso ou destinação irregular das substâncias.
Também foram apreendidos aparelhos celulares e tablets, que poderão contribuir para o esclarecimento da origem dos medicamentos e da eventual prática de comercialização clandestina.
Os investigados, na época, segundo a Polícia Civil, foram identificados como uma mulher de 39 anos e um homem de 31 anos. Segundo as investigações, o homem é estudante de medicina, reside e estuda no Paraguai e vinha periodicamente para Taguaí trazendo os medicamentos para comercialização irregular, atuando em conjunto com a irmã, que seria responsável pela divulgação dos produtos por meio de redes sociais.
Ainda conforme apurado, uma pessoa teria adquirido o medicamento dos irmãos investigados, feito uso da substância e, após passar mal, precisou ser atendida no hospital do município, fato que reforça os riscos à saúde pública decorrentes da venda ilegal desses produtos.





































