
Infelizmente Avaré registrou o primeiro feminicídio de 2026 e espera-se que seja o último. Na terça-feira (5), uma mulher foi morta a tiros em Avaré. O policial militar José Augusto de Andrade Paifer confessou o crime e foi preso. Segundo ele, os dois mantinham um relacionamento extraconjugal.
A vítima foi identificada como Eurídice Augusta de Souza Michelin, de 57 anos, uma reconhecida ativista da causa animal no município. Segundo amigos, a vítima vivia próximo à represa de Jurumirim, com 18 cachorros. Após a morte de Eurídice, todos eles foram recolhidos com a ajuda de uma Organização Não-Governamental (ONG).
O policial militar José Augusto de Andrade Paifer confessou o crime e foi preso. Segundo o boletim de ocorrência, o corpo da mulher foi encontrado em um carro.
Ela já estava morta quando foi encontrada pelos agentes. O homem disse que vinha sendo ameaçado por Eurídice. A arma que teria sido utilizada no crime e uma pistola com a numeração raspada foram encontradas na casa do suspeito.
Conforme o BO, o PM disse que mantinha um relacionamento extraconjugal com Eurídice havia dez meses. Segundo ele, a vítima o intimidava com falsas acusações de estupro e ameaçava divulgar imagens íntimas do casal caso ele terminasse com ela.
José disse que encontrou a vítima em um supermercado enquanto estava com a esposa e acreditou estar sendo seguido. Ele afirmou que, durante o trajeto para casa, a mulher o perseguiu de carro, parou de forma brusca e iniciou uma discussão, momento em que ele atirou contra ela.
O suspeito indicou aos policiais onde estava a pistola da PM usada no crime. Questionado sobre a arma ilegal, ele permaneceu em silêncio.
A Justiça determinou a prisão preventiva do suspeito durante a audiência de custódia realizada na quarta-feira (6). Eurídice foi sepultada na manhã de quinta-feira (7), no Cemitério Parque Memorial Pôr-do-Sol, no bairro Terras de São José. Ela deixa os pais e três filhos.
Em entrevista ao g1, a advogada especializada em direito penal Juliana Saraiva avalia que os dados da região sobre tentativas e feminicídios ainda são preocupantes, principalmente por se tratarem de cidades com menor população.
“O raciocínio precisa ser proporcional à população. Quando falamos em indicadores de violência, usamos a taxa por 100 mil habitantes, não o número absoluto. A taxa pode ser proporcionalmente muito superior à da capital. Não significa menos problema na realidade. Três casos em uma região pequena não é estatística, é tragédia”, pontua.
Segundo a especialista, o feminicídio representa “a ponta visível de um iceberg”. Ela explica que municípios do interior ainda convivem com uma cultura de silêncio em relação aos casos de violência, já que as pessoas costumam se conhecer com mais facilidade, o que pode dificultar denúncias.
Outro ponto que chama a atenção da especialista é a diferença no acesso aos recursos de proteção para mulheres vítimas de violência no interior em comparação às capitais. Segundo a advogada, a rede de apoio nas cidades menores é muito menos estruturada, evidenciando uma limitação enfrentada por municípios de pequeno porte em todo o país.
“Minha leitura é de que ainda há muita subnotificação. A mulher não denuncia porque tem medo, mas porque depende economicamente do agressor, porque a delegacia fica a 30 quilômetros de distância, porque não tem transporte. Neste contexto, pode ser invisibilidade e, não, segurança. O ponto central é que uma mulher em situação de risco não pode esperar, e, em cidades menores, o tempo de resposta tende a ser maior”, destaca.
Onde denunciar emn Avaré?
DDM Avaré (Av. Salim Antônio Curiati, 1630 – Jardim Brasil)
Sala DDM Avaré (R. Minas Gerais, 1315-1419 – Centro)
(Com informações do G1)




































