Os números da violência contra a mulher na cidade continuam a acender um sinal de alerta vermelho para as autoridades de segurança pública e para a sociedade civil. O balanço estatístico referente ao mês de maio, divulgado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Avaré, revela um cenário preocupante de agressões e abusos cotidianos, além de um feminicídio, uma tragédia já noticiada por este portal.

Durante o mês de maio, a DDM registrou 15 casos de lesões corporais dolosas, onde há a clara intenção de ferir a vítima. Além das agressões físicas, a delegacia especializada computou outros 37 crimes de naturezas diversas. Entre as principais ocorrências que preencheram os boletins de polícia estão:

  • Ameaças e danos materiais;
  • Crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria);
  • Invasão de domicílio e importunação sexual;
  • Descumprimento de medidas protetivas de urgência — um indicativo grave de que muitos agressores seguem desafiando as ordens judiciais.

Feminicídio no Costa Azul

As estatísticas frias ganharam o rosto e a trágica história de Euridice Augusta de Souza, de 57 anos, assassinada na noite de 5 de maio no bairro Costa Azul. O crime, que já havia sido adiantado em cobertura pelo in Foco.

De acordo com o Boletim de Ocorrência oficial, o autor do crime é o policial militar ativo José Augusto de Andrade Paifer, de 40 anos, lotado na 1ª Companhia de Avaré.

O agressor foi preso em flagrante por homicídio qualificado (feminicídio), violência doméstica e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Ele recusou-se a realizar o exame residuográfico e optou pelo silêncio durante o registro da ocorrência, sendo posteriormente encaminhado ao presídio da corporação militar. No fim do mês, o BO recebeu uma atualização para o indiciamento de sua esposa, V. C.

Rede de Apoio e Denúncias

O acumulado de mais de 50 registros policiais em apenas um mês reforça a necessidade contínua de fortalecimento das redes de acolhimento em Avaré. A DDM e as autoridades locais reforçam que as mulheres vítimas de violência doméstica dispõem de amparo legal garantido pela Lei Maria da Penha, incluindo o direito de solicitar medidas protetivas urgentes e o afastamento imediato do agressor.

Canais de Denúncia: Qualquer situação de violência doméstica ou ameaça pode e deve ser denunciada. O cidadão pode acionar a Polícia Militar (190) em casos de emergência, comparecer à Delegacia da Mulher de Avaré, ou utilizar o canal nacional de denúncias anônimas, o Disque 180.