Fotos redes sociais

Uma grave crise operacional paralisou a rede municipal de ensino de Iaras nesta quarta, 17. Em uma ação coordenada, uma operação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) interditou veículos destinados ao transporte de estudantes do município — incluindo os automóveis da frota terceirizada —, após a constatação de severas irregularidades e falta de condições de circulação. Paralelamente, uma denúncia sobre condições insalubres levou a Vigilância Sanitária a interditar a Creche Municipal. Diante do cenário de desestruturação, a administração municipal suspendeu todas as aulas da rede de ensino fundamental e infantil até a próxima segunda-feira.

O colapso no setor atinge diretamente um município de aproximadamente 8,3 mil habitantes fundado em 1990, que ocupa a 237ª posição no ranking estadual de educação e amarga a 3.460ª colocação no Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026), levantamento divulgado pelo instituto Imazon que mapeia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros.

A paralisia contrasta com o volume de recursos públicos disponíveis: para o exercício de 2026, a Lei Municipal nº 1.110/2025 fixou o orçamento de Iaras em R$ 54.870.000,00, estipulando que mais de R$ 19 milhões devem ser obrigatoriamente destinados à área da Educação.

Crise

A crise eclodiu formalmente na terça-feira (16), quando agentes do Detran constataram que os veículos escolares da gestão do prefeito Patrick Hernandes Morales (PSD) — eleito para o mandato 2025-2028 — não possuíam condições de segurança para transportar os alunos, resultando no bloqueio imediato da frota.

Simultaneamente, o ambiente físico destinado à primeira infância foi interditado. Conforme denúncias formalizadas e acompanhadas de registros fotográficos e em vídeo enviados às autoridades competentes pela munícipe Helenice M. Cortez, a Creche Municipal operava em condições de extrema insalubridade. Os relatos apontaram desabastecimento de água, banheiros impossibilitados de passar por higienização básica, vasos sanitários sem descarga com acúmulo de resíduos, além de problemas estruturais crônicos na rede de esgoto e proliferação de baratas nas dependências frequentadas por servidores e crianças.

Recebi hoje relatos, fotos e vídeos preocupantes sobre a situação da creche municipal em nossa cidade. “Foram relatados problemas na rede de esgoto e a presença de inúmeras baratas nas dependências da unidade, inclusive próximas às áreas utilizadas por crianças e funcionários. Estamos falando de um espaço destinado ao cuidado e à educação de crianças. Independentemente de questões políticas, a saúde, a higiene e a segurança dos alunos e dos profissionais devem ser prioridade absoluta. Diante da gravidade dos relatos, encaminhei o material à Vigilância Sanitária para que a situação seja verificada e as providências necessárias sejam adotadas, escreveu a munícipe em redes sociais.

Como medida de emergência para manter o atendimento básico, a prefeitura transferiu as atividades da creche para o prédio do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV Iaras – Projeto), pertencente a outra secretaria, até que reformas de caráter estrutural e sanitário sejam executadas no imóvel original.

Comunicados oficiais omitem bloqueio da frota e geram revolta

A reação da prefeitura e das direções escolares por meio de notas oficiais gerou forte desgaste político e indignação entre os moradores. Em comunicado emitido em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação, o prefeito Patrick Hernandes Morales, do PSD, justificou a paralisação geral de forma genérica, classificando a ação fiscalizatória como uma “visita do Detran” e alegando que as aulas foram suspensas apenas para a regularização de “apontamentos”.

Nas unidades escolares, o tom burocrático se repetiu. A direção da EMEI Oscar Damiano informou a suspensão total de suas turmas entre os dias 17 e 19 de junho citando “motivos de força maior”. Já a EMEIEF Assentamento Zumbi dos Palmares — vinculada administrativamente à Diretoria de Ensino de Avaré — cancelou as aulas da educação infantil ao ensino fundamental II alegando “questões jurídicas, burocráticas e materiais”. A unidade manteve em funcionamento exclusivo as aulas do Ensino Médio da rede estadual no período da tarde devido à aplicação programada da Prova Paulista, avaliação que independe da logística municipal de transporte.

O teor evasivo das notas oficiais desencadeou manifestações públicas de moradores e eleitores nas redes sociais. “Mais uma vez, a população recebe um comunicado genérico, cheio de termos como ‘questões jurídicas, burocráticas e materiais’, sem uma explicação clara do que realmente aconteceu. Se a suspensão ocorreu porque foram constatadas irregularidades que impediram a circulação dos ônibus, isso deveria ser informado de forma transparente”, criticou Helenice M. Cortez em suas redes, cobrando responsabilidade administrativa.

A indignação foi endossada por outras mães e eleitoras do município, que demonstraram surpresa com a degradação dos serviços essenciais diante das promessas de campanha da atual gestão. “Fico indignada ao ver que uma gestão deixou chegar a este ponto. Falta de aula sem aviso prévio, sem uma declaração verdadeira com fatos sobre o assunto. Me espanta uma gestão onde, segundo o prefeito Patrick Morales, os cargos de confiança são os melhores e mais capacitados, deixarem a saúde e a educação chegarem aonde está chegando. Cadê as verbas? O dinheiro que entrou na prefeitura?”, questionou uma munícipe sob anonimato, cobrando a priorização dos direitos das crianças locais.

Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura Municipal de Iaras e a Secretaria Municipal de Educação não haviam detalhado quais sanções jurídicas e administrativas foram aplicadas pelo Detran e pela Vigilância Sanitária, limitando-se a informar que os problemas “já estão sendo resolvidos”. O canal de atendimento disponibilizado aos pais para esclarecimento de dúvidas na EMEIEF Zumbi dos Palmares é o telefone (14) 99880- 5817. As atividades escolares regulares devem ser retomadas na próxima segunda-feira, a depender da liberação legal do transporte público.