
O que começou como um projeto acadêmico de didática transformou-se em um estopim para debates sobre representatividade, apoio institucional e política interna na Fundação Regional Educacional de Avaré (FREA/FIRA). Estudantes do curso de Educação Física denunciam que a instituição retirou, de forma repentina, o apoio à 1ª Caminhada da Diversidade, evento organizado pela Atlética acadêmica que uniria esporte e a cultura LGBTQIA+ na cidade.
O caso ganhou repercussão após uma aluna do 3º ano e integrante da Atlética, publicar um vídeo de dez minutos nas redes sociais detalhando o cancelamento. O desabafo já ultrapassou a marca de 2 mil visualizações e gerou uma onda de solidariedade aos estudantes.
Segundo a organização, a ideia do evento surgiu no ano passado como um projeto para a disciplina de Didática. O objetivo era promover a saúde por meio da caminhada e, simultaneamente, dar visibilidade à comunidade LGBTQIA+ de Avaré.
Neste ano, os estudantes decidiram tirar a proposta do papel. O projeto foi apresentado ao coordenador do curso, que deu aval e o encaminhou à Diretoria Pedagógica da FREA. Com a aprovação interna, a Atlética deu início aos trâmites externos, incluindo a elaboração de ofícios para solicitar o acompanhamento de segurança e saúde da Polícia Militar e do SAMU, indispensáveis para eventos em vias públicas.
O cenário mudou no início de junho, período que coincidiu com o processo de escolha da nova presidência da FREA — cargo definido por indicação do prefeito municipal. O coordenador do curso de Educação Física era um dos cotados para a vaga.
De acordo com os relatos, boatos de que a instituição não via com bons olhos um evento ligado à pauta LGBTQIA+ começaram a circular. Para evitar que o projeto fosse utilizado politicamente ou prejudicasse a candidatura do coordenador, os alunos decidiram adiar a caminhada do dia 2 de junho para o dia 17 de junho.
No entanto, no dia 11 de junho, data em que foi confirmada a recondução do atual presidente da instituição, Edson “Edinho” Gabriel da Silva, os estudantes foram notificados de que o evento não estava mais autorizado pela faculdade. Com a retirada do apoio, a Atlética perdeu o acesso à infraestrutura prometida, como caixas de som e o espaço físico da instituição para apresentações. Os alunos também descobriram que os ofícios para as autoridades de segurança não haviam sido protocolados como esperado.
“O evento é dos alunos”
Em seu posicionamento, a liderança da Atlética reforça que a caminhada nunca foi uma realização direta da faculdade, mas sim um projeto dos próprios estudantes, no qual a FREA figurava apenas como apoiadora.
“Era um evento nosso da Atlética, dos alunos. A faculdade seria só uma apoiadora”, desabafou a aluna nas redes sociais.
Apesar do veto e do clima de oposição interna por parte de alguns docentes e da diretoria, os universitários decidiram manter a realização da caminhada de forma totalmente independente, rompendo qualquer vínculo com a instituição.
Nota da Redação: O espaço segue aberto para o posicionamento oficial da diretoria da FREA/FIRA e da Prefeitura Municipal de Avaré a respeito das declarações dos estudantes e dos critérios para o cancelamento do apoio ao evento.



































