A participação do Secretário Municipal de Educação de Avaré, César de Oliveira, no programa De Olho na Cidade, da rádio Jovem Pan News, tomou rumos tensos nesta quinta, 18. O que deveria ser uma entrevista de prestação de contas sobre temas da pasta pedagógica transformou-se em um embate político e institucionalizado, envolvendo acusações contra alguns veículos de comunicação locais, profissionais da imprensa e a própria gerência da Diretoria de Ensino do Estado.

O episódio teve a intervenção direta de Cláudio Mansur Salomão, conselheiro estadual de educação e diretor do Grupo JBMS de Comunicação, que fez questão de participar ao vivo, reiterando a total imparcialidade da emissora e rechaçando qualquer tentativa de rotular o veículo como ferramenta político-partidária.

Ataques à Imprensa e Contradições no Ar

Durante a sabatina conduzida pelo jornalista Gabriel Guerra, o titular da Educação utilizou o espaço para desferir críticas à dois membros da imprensa local, alegando a existência de perseguição política contra a gestão do prefeito Roberto Araújo. Em sua fala, o secretário chegou a afirmar que parte dos comunicadores “põe a bomba e depois procura o secretário para ser ouvido”.

Entre os alvos das declarações do secretário estiveram o próprio entrevistador, Gabriel Guerra — classificado por ele como “oposição” devido a atuações passadas como assessor de imprensa —, e o portal Avaré Notícias, rotulado pelo chefe da pasta como “um dos piores jornais e parcial”.

A cobertura do portal in Foco também foi hostilizada. O secretário atacou nominalmente a jornalista Cida Koch, classificando-a de forma pejorativa. No entanto, o próprio integrante do primeiro escalão caiu em contradição minutos depois: após acusar a repórter de publicar matérias para só então procurá-lo, ele admitiu na sequência que “Cida Koch sempre fez contato”, invalidando involuntariamente sua própria fala. “É uma das piores jornalistas da história”, frisou César.

O secretário de Relações Públicas, Leonardo Zanardo, que acompanhava a entrevista, interveio para endossar as críticas do colega de equipe. Segundo ele, algumas postagens de comunicadores locais configuram “maldades”. Leonardo, assim como César, buscaram justificar a postura centralizadora do Executivo: “É óbvio que se fazem um editorial para atacar o governo Roberto Araújo, ele não vai receber quem não quer dialogar. O prefeito se chateia e se fecha”, declararam.

O secretário de Comunicação do município também esteve presente no estúdio acompanhando toda a transmissão, mas manteve-se em absoluto silêncio durante o desenrolar dos ataques e debates.

Diante do cenário, Cláudio Mansur Salomão rebateu tecnicamente as queixas dos secretários municipais, ponderando que a imprensa trabalha com prazos rígidos e respaldada em fatos concretos.

O conselheiro cobrou publicamente a postura do governo, apontando diretamente para o secretário de Comunicação presente no estúdio para criticar a falta de retorno institucional da prefeitura, que frequentemente ignora os questionamentos e pedidos de informação formalizados pelos veículos de comunicação.

Salomão também fez uma defesa veemente do pluralismo de ideias e da independência do grupo de comunicação. “Não pertenço à vida pública, ninguém aqui é candidato a porcaria nenhuma”, enfatizou, cortando as ilações de que a linha editorial da emissora estaria atrelada a interesses eleitorais.

Diretoria Regional de Ensino

O embate estendeu-se ainda para a esfera da gestão estadual da educação. Os representantes do governo municipal questionaram a neutralidade de colaboradores do grupo de comunicação, citando inclusive o atual dirigente regional de ensino, Henrique Riguetto.

Em uma tentativa de politizar a autarquia estadual, o secretário de Educação sugeriu que a Diretoria de Ensino de Avaré estaria sendo utilizada de forma política, justificando sua tese pelo fato de a cunhada do opositor político Marcelo Ortega exercer funções profissionais naquele órgão.

O episódio evidenciou o clima de desgaste nas relações institucionais entre o Executivo de Avaré e os órgãos de imprensa que mantêm postura fiscalizadora do erário e das ações políticas locais.

Nota da Redação:

O portal in Foco reitera seu compromisso inabalável com o jornalismo ético, independente e estritamente pautado na busca pelos fatos e pelo interesse público, sem qualquer subordinação a grupos políticos ou pressões governamentais. Esclarecemos que a busca pelo “outro lado” e o contato prévio com as fontes — prática que o próprio Secretário de Educação confuso admitiu ocorrer — são pilares da nossa conduta profissional. Mas lamentamos o silêncio e distanciamento, além da falta de comunicação, por parte do governo, que só dificulta o trabalho da imprensa que é um elo entre poder público e população.

Informamos ainda que a jornalista Cida Koch precisou bloquear o referido secretário em seu aplicativo de mensagens pessoais (WhatsApp). A medida extrema foi tomada de forma preventiva e necessária para resguardar sua integridade, após o secretário de “Educação” desferir agressões verbais que extrapolaram completamente o debate institucional e o respeito mútuo que devem pautar as relações entre a imprensa e os agentes políticos. O jornalismo livre e a segurança de nossos profissionais não recuarão diante de tentativas de intimidação.