A polêmica atuação nas redes sociais do servidor comissionado Paulo Proença voltou ao centro do debate público em Avaré. Durante entrevista ao programa De Olho na Cidade, na rádio Jovem Pan News, o Secretário Municipal de Educação César de Oliveira atuou na defesa institucional da administração municipal ao ser questionado sobre as constantes ofensas e ataques pessoais promovidos pelo funcionário — que ocupa cargo de confiança na prefeitura — contra jornalistas, empresários e até autoridades do próprio Executivo, como a vice-prefeita do município.

O posicionamento da pasta gerou forte contestação por parte de Cláudio Mansur Salomão, diretor do Grupo JBMS de Comunicação e mantenedor da UNEDUVALE, que cobrou respeito e postura ética dos ocupantes de cargos públicos.

Questionado sobre os recentes ataques de Paulo Proença direcionados à vice-prefeita e a profissionais da imprensa, o secretário de Educação eximiu o governo de qualquer responsabilidade sobre a conduta do assessor. Segundo o chefe da pasta, o governo municipal não possui mecanismos para monitorar as manifestações particulares do servidor.

“Quando ele [Paulo Proença] está na live, ele não é servidor público. Ninguém tem o direito de fazer nada, nem autonomia. Não é culpa da prefeitura quando ele ataca alguém”, argumentou o secretário.

A tese de que a conduta digital do comissionado está desvinculada de sua função pública, contudo, choca-se com as denúncias de que o “influenciador” utilizaria informações privilegiadas do próprio governo para fustigar críticos da gestão do prefeito Roberto Araújo.

Cláudio Mansur Salomão relembrou no ar um episódio recente em que a instituição de ensino da qual é mantenedor foi alvo de autuações administrativas (notificações 001 e 002) da Secretaria Municipal de Meio Ambiente apenas por conta da poda de bambus para a realização de uma maior festa junina da região. Os detalhes internos e burocráticos da autuação foram vazados e divulgados em primeira mão por Proença nas redes sociais, evidenciando o acesso facilitado a dados sigilosos da máquina pública.

Ofensas contra mulheres e registro de boletim de ocorrência

O comportamento de Proença na internet já extrapolou o campo da divergência política e passou a ser tratado na esfera policial. Uma divulgadora Sandra Rodrigues, registrou formalmente um Boletim de Ocorrência (B.O.) por injúria contra o servidor comissionado. Em seu relato, a profissional aponta que vem sofrendo ataques reiterados e de cunho pejorativo em canais digitais após tecer críticas de teor jornalístico à atual administração.  Ao fazer um comentário na entrevista transmitida em redes sociais, ela lembrou: “Comissionado tem que ter postura”.

O portal in Foco já acompanhava os desdobramentos do caso, apontando reiteradamente que a conduta do assessor configura, em tese, quebra de decoro funcional — princípio previsto no Estatuto dos Servidores Públicos que exige comportamento ético e urbano dentro e fora do ambiente de trabalho para quem representa o Estado. Apesar do acúmulo de episódios e do desgaste institucional, a Prefeitura de Avaré não instaurou sindicância ou processo administrativo disciplinar e manteve o servidor no cargo.

Demonstrando forte indignação com o nível das publicações promovidas pelo assessor, Cláudio Mansur Salomão subiu o tom para exigir a preservação da dignidade nas relações públicas em Avaré. “Respeito a gente exige. Não podemos descer ao nível de pessoas desclassificadas, que não medem consequências para ataques pessoais. Isso sim não é salutar”, frisou o diretor de comunicação.

Em um gesto que selou a complacência da pasta com a conduta do influenciador, o secretário de Educação escolheu encerrar sua participação no programa de rádio enviando publicamente um abraço para toda a sua equipe de trabalho e, nominalmente, para o próprio servidor comissionado Paulo Proença.