
Um dos itens mais polêmicos da pauta da sessão extraordinária de sexta-feira, 17 de julho, acabou nem sequer indo à votação na Câmara Municipal de Avaré. Trata-se do Projeto de Resolução nº 06/2026, de autoria da própria Mesa Diretora, mais precisamente do presidente Samuel Paes (PSD), que pretendia autorizar formalmente a realização de exéquias e homenagens fúnebres nas dependências do Legislativo para integrantes falecidos das Forças de Segurança Pública (como policiais militares, civis, bombeiros e guardas municipais).
A proposta acabou sendo retirada de pauta a pedido da 1ª secretária da Mesa, vereadora Ana Paula Tibúrcio, após um intenso debate que envolveu divergências públicas entre os próprios membros da direção da Casa, corte de microfone e rejeição expressa até mesmo por vereadores da base governista.
O mal-estar começou quando o 2º secretário da Mesa, vereador Barreto do Mercado (PT), manifestou forte oposição à matéria, entrando em confronto direto com o presidente do Legislativo, vereador cabo Samuel Paes (PSD).
Barreto argumentou que a proposta continha divergências e apontou que a concessão de espaço para velórios já é uma prerrogativa do próprio presidente em situações excepcionais — lembrando que a última homenagem do gênero realizada no plenário foi para a ex-vereadora Marialva Biazon.
“Isso pode virar rotina e é um local de trabalho. O senhor está colocando em xeque os votos dos vereadores”, protestou o parlamentar petista, que demonstrou visível desconforto ao ter o microfone cortado durante a sua fala.
Além de Barreto, diversos parlamentares usaram o microfone para debater o projeto. Os vereadores Adalgisa Ward (Podemos), Hidalgo de Freitas (PSD) e Magno Greguer (Republicanos) posicionaram-se abertamente resistentes ao texto. A resistência foi tão abrangente que até o líder do prefeito na Casa, vereador Pedro Fusco (PL), anunciou que votaria contra a aprovação caso o projeto fosse à deliberação. “Somos iguais”, frisou lembrando que o assunto teria que ser discutido com calma.
Para evitar um desgaste maior ou a reprovação expressa em plenário, a 1ª secretária Ana Paula Tibúrcio (Republicanos) solicitou formalmente a retirada da matéria. O pedido foi acatado por cabo Samuel Paes, que demonstrou contrariedade com o desfecho.
Apesar do tom áspero dos debates, os parlamentares que se contrapuseram à mudança regimental fizeram questão de ressaltar que a posição não representava qualquer desrespeito ou oposição às corporações policiais.
A justificativa central dos vereadores fundamentou-se na preservação da rotina e da finalidade institucional do prédio da Câmara, enfatizando que o reconhecimento ao trabalho dos agentes de segurança municipal pode e deve continuar sendo feito por meio das honrarias, comendas e moções de aplauso já previstas no Regimento Interno.
Marcada para às 9h00 do dia 17, a sessão demorou apenas 36 minutos para aprovar outros projetos.




































