O caso da menina de apenas 5 anos que aguardou cerca de 12 horas por uma transferência no Pronto-Socorro Municipal de Avaré na última semana ganhou um novo e polêmico capítulo. O caso, que inicialmente expôs as limitações do atendimento pediátrico e estrutural no município, transformou-se em um embate direto entre a base governista na Câmara Municipal e a família da criança.

Na última segunda-feira, o vereador Everton Machado (PL), que é filho do atual Secretário Municipal de Saúde, Roslindo Machado, utilizou a tribuna do Legislativo para rebater as críticas sobre o atendimento prestado pelo município. Em sua fala, o parlamentar contestou a versão da mãe da criança, afirmando que “a mãe não permitia exames”.

Ainda durante seu pronunciamento, Machado direcionou críticas a uma divulgadora local que vinha repercutindo o caso, questionando o motivo de ela não expor nas redes sociais uma cirurgia realizada por sua própria mãe através do SUS, insinuando falta de gratidão, o que revoltou munícipes já que as cirurgias são feitas pelo sistema de saúde e direito de todo cidadão.

O vereador também gerou controvérsia ao generalizar parte do perfil dos pacientes do Pronto-Socorro, declarando que muitas pessoas procuram a unidade em busca de atestados médicos após consumirem bebidas alcoólicas aos finais de semana.

A resposta da mãe 

Diante das declarações na Câmara, a mãe da criança utilizou suas redes sociais para se defender e trazer à tona novos e graves desdobramentos sobre o quadro de saúde da filha. Segundo ela, o problema não era apendicite aguda — diagnóstico preliminar dado no PS de Avaré —, mas sim uma farpa de madeira de 2,5 centímetros cravada nas nádegas da menina, adquirida enquanto ela brincava em um escorregador no Horto Florestal.

A mãe relatou que a farpa não foi retirada no Pronto-Socorro local, o que desencadeou uma reação inflamatória no corpo da criança, resultando em febre alta e dores intensas. Ela revelou ainda que a situação na unidade chegou a tal ponto que precisou acionar a Polícia Militar para garantir que a filha fosse completamente atendida.

Após a transferência para o Hospital das Clínicas da Unesp, em Botucatu, a suspeita de apendicite foi totalmente descartada. De volta a Avaré, a família optou por pagar por exames na rede particular para confirmar definitivamente que não se tratava de um problema no apêndice.

Apesar da exaustão e do embate público, a mãe manteve a coerência de seu primeiro relato em relação à equipe médica. Ela reiterou os elogios à médica plantonista, destacando seu esforço diante das limitações da unidade, mas foi taxativa quanto à estrutura do sistema municipal: “Alguém da prefeitura está duvidando, venha em casa (…), mas repito: o atendimento no PS é péssimo. A médica é ótima”.

O caso continua a levantar sérios questionamentos sobre a infraestrutura da saúde pública em Avaré, a manutenção dos espaços de lazer infantil, como o Horto Florestal, e a postura de representantes do Legislativo ligados ao governo e a parentes, diante de denúncias feitas pela população.