Avaré perde parte de uma história construída ao longo de mais de cinco décadas. O tradicional curso de Educação Física da Fundação Regional Educacional de Avaré, FREA, mantido pela FIRA, teve a renovação de seu reconhecimento não aprovada pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo, CEE-SP.

A decisão veio após sucessivos apontamentos feitos pelo Conselho nas últimas avaliações. Segundo o processo de renovação, já havia recomendações para que a instituição promovesse melhorias na estrutura e na oferta do curso. Na avaliação mais recente, a Comissão de Especialistas do CEE-SP recomendou a não renovação do reconhecimento.

Com isso, as turmas que já estão matriculadas poderão concluir a formação, mas a instituição fica impedida de realizar novo vestibular ou abrir novas turmas do curso, nas condições atuais. São 53 anos de Educação Física dentro de uma instituição que possui 58 anos de história em Avaré.

Durante esse período, o curso se tornou uma referência na formação de profissionais que passaram pelo esporte, pelas escolas, por projetos sociais e por diferentes áreas de atuação profissional.

BRANCA, UM DOS NOMES QUE MARCARAM ESSA HISTÓRIA

Entre os nomes ligados à trajetória esportiva e acadêmica de Avaré está Beatriz Bonfim, conhecida como Branca. Nascida em Patrocínio Paulista, Branca construiu em Avaré grande parte de sua trajetória no esporte. Começou no atletismo, com destaque no salto em altura, e posteriormente também se destacou no basquete.

Em 1970, dois anos depois de se estabelecer em Avaré, foi convocada para defender a Seleção Brasileira de Basquete.

A atleta também conquistou títulos em Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior, defendendo Avaré e Lençóis Paulista. No atletismo, participou do Troféu Brasil entre 1974 e 1981, competição na qual acumulou recordes.

A trajetória de Branca também foi reconhecida pelo município. Ela recebeu o título de Cidadã Avareense e se consolidou como uma das referências do esporte local.

É uma história que ajuda a explicar o peso que a Educação Física da FREA teve para Avaré e para a formação de profissionais ligados ao esporte.

 

QUESTIONAMENTOS SOBRE O FUTURO DA FREA

A decisão envolvendo o curso acontece em um momento em que a própria FREA também é alvo de questionamentos.

Professores da instituição já haviam relatado a existência de um suposto movimento para inviabilizar a manutenção da FREA, com a possibilidade de uma futura venda da instituição. A alegação, porém, não foi apresentada como fato comprovado e deve ser tratada como denúncia.

Em janeiro do ano passado, o portal in Foco publicou uma reportagem sobre uma suposta articulação envolvendo a venda ou privatização da FREA.

A publicação citou um e-mail encaminhado ao vereador Hidalgo Freitas (PSD) no endereço oficial do legislativo, atribuído ao contador Milton Morini. Na mensagem, haveria uma acusação de que a entrega da instituição a um grupo privado de Cerqueira César estaria supostamente sendo articulada pelo então presidente Samuel Paes (PSD), com hipotética participação financeira envolvendo partidos políticos.

O caso ganhou repercussão justamente pela gravidade das acusações. O contador citado, entretanto, negou ser o autor da mensagem e registrou um boletim de ocorrência, para reafirmar não ter autoria ou envolvimento no caso. Hidalgo Freitas confirmou ter recebido o e-mail em seu endereço oficial da Câmara Municipal e informou, segundo a reportagem, que aguardava outros documentos antes de tomar qualquer providência.

Até que essas informações sejam comprovadas por documentos ou investigações oficiais, as acusações permanecem no campo das alegações. O presidente da Casa até hoje não se manifestou sobre o caso e inclusive tentou processar a jornalista Cida Koch por “difamação contra a honra” – processo que foi rejeitado pelo Ministério Público.

 

UMA PERDA PARA AVARÉ

A não renovação do reconhecimento do curso de Educação Física não representa o fim da FREA, mas impede, neste momento, a entrada de novos estudantes em uma formação que existe há 53 anos.

Para uma cidade que conta com poucas instituições de ensino superior e que viu milhares de estudantes passarem pela FREA, a interrupção de novas turmas representa uma perda importante.

A instituição tem 58 anos de existência. O curso de Educação Física atravessou 53 desses anos e ajudou a formar profissionais que fizeram parte da história esportiva e educacional de Avaré.

Agora, as turmas que já estão em andamento deverão ser concluídas, enquanto o futuro do curso dependerá das medidas que poderão ser adotadas pela instituição diante das exigências apontadas pelo Conselho Estadual de Educação.

Para Avaré, fica o prejuízo de ver um curso tradicional, que durante décadas fez parte da formação de seus profissionais, deixar de receber novos alunos.

É importante destacar que a decisão do Conselho Estadual de Educação diz respeito exclusivamente ao curso de Educação Física. Os demais cursos oferecidos pela FREA seguem mantendo suas atividades e a formação de seus estudantes.

Vale lembrar que o orçamento da FREA para este ano é de mais de 15 milhões de reais oriundos do orçamento municipal.