
A execução das obras de drenagem e combate às enchentes – obras necessárias, frise-se – na região central de Avaré segue no centro de uma intensa polêmica. Embora o setor produtivo reconheça a necessidade histórica das intervenções nas galerias pluviais para conter os alagamentos, a lentidão dos trabalhos, a falta de comunicação e os graves prejuízos financeiros, aliados a proximidade do Natal, vêm alimentando o crescente descontentamento dos comerciantes, que prometem manter a mobilização.
Nesta quinta-feira, 15, o presidente da Associação Comercial de Avaré (ACIA), Cassio Jamil Ferreira, esteve reunido com o prefeito Roberto Araújo (PL) para tratar dos impactos no comércio do centro. Na ocasião, o chefe do Executivo informou que a previsão é entregar a pavimentação das ruas Santa Catarina e Rio Grande do Sul até o dia 20 de novembro. O prefeito também se colocou à disposição para agendar um encontro entre os empresários e o secretário municipal de Obras, José S. Calado, a fim de apresentar o cronograma e prestar esclarecimentos.
Apesar das sinalizações do governo municipal, o clima entre os comerciantes afetados é de forte apreensão e ceticismo. A categoria aponta que o principal gargalo é a falta de comunicação preventiva e eficiente por parte da administração pública, que deixou o setor no escuro enquanto o fluxo de pedestres despencava, os acessos às lojas eram bloqueados e a poeira tomava conta das vitrines.
Com a chegada de outubro — mês crucial de preparação para as vendas de fim de ano —, empresas da região central já registram quedas acentuadas no faturamento e demissões, havendo até casos de estabelecimentos que fecharam as portas em definitivo.
A promessa de entrega parcial para novembro não diminuiu a desconfiança dos empresários. A previsão oficial de término total das obras é apenas para março de 2027, mas informações de bastidores sugerem que o cronograma original dificilmente será cumprido, o que pode estender indefinidamente a crise no varejo local.
Cobrança por trabalho noturno e celeridade
Diante do cenário crítico, os comerciantes cobram medidas concretas de gestão de obra, a começar pela adoção de turnos ininterruptos ou trabalho noturno/de madrugada nas áreas de maior densidade comercial — prática comum em diversas cidades do país durante grandes intervenções urbanas.
A execução de serviços pesados no período noturno traria duas soluções imediatas:
- Preservação da atividade econômica: Evita o bloqueio total de calçadas e fachadas durante o horário comercial, minimizando os danos ao caixa das empresas.
- Fluidez no trânsito: Impede o colapso do tráfego e do transporte coletivo nas vias centrais ao longo do dia.
Os comerciantes deixam claro que não são contra as obras de melhoria na infraestrutura da cidade. O que se exige é respeito com quem gera empregos e move a economia local: agilidade na execução, planejamento que reduza os danos financeiros e um canal contínuo e transparente de diálogo por parte do Poder Público.
A categoria reforça que continuará mobilizada para acompanhar o cumprimento das datas prometidas e cobrar atitudes firmes para garantir a sobrevivência do comércio central.




































