O recente desabafo de uma mãe atípica sobre o atendimento prestado à sua filha no Pronto-Socorro Municipal de Avaré mobilizou a opinião pública e resultou na intervenção direta da coordenação da unidade de saúde.

Após publicar uma denúncia nas redes sociais relatando ter sido questionada, constrangida e ameaçada de ficar sem assistência médica para a criança, a munícipe M.A. foi formalmente procurada pela gestão do hospital, onde recebeu acolhimento e a promessa de apuração do conduta profissional.

O episódio inicial ocorreu no último dia 17 de outubro, quando ela buscou atendimento pediátrico de emergência para sua filha, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que apresentava febre alta e episódios de vômito.

Durante a triagem e consulta médica, a conduta da médica plantonista gerou indignação na mãe. Ao ser questionada sobre a frequência exata da febre e responder que não sabia precisar a contagem devido à sobrecarga da rotina como mãe atípica, elaa relata ter sido indagada com ironia pela profissional: “Se você é mãe, como não sabe quantas vezes sua filha teve febre?”.

O clima no consultório se acirrou após a mãe exigir que o foco permanecesse no exame clínico da criança e no tratamento dos sintomas, em vez de cobranças sobre a condução de sua maternidade. Diante da alteração no tom de voz e da recusa inicial de continuidade do atendimento, a médica acionou a segurança do local. A mãe, preocupada com a saúde da filha, acionou a Polícia Militar.

Com a chegada da guarnição, os policiais intervieram na ocorrência. Segundo relatado pela mãe, a médica teria reconhecido perante a autoridade policial que se alterou na condução do caso.

Repercussão, cobrança por humanização e ação da gestão

Indignada com o constrangimento em um espaço público que deveria oferecer acolhimento e empatia, a mãe compartilhou um longo relato em suas redes sociais. No texto, cobrou posicionamento do Poder Executivo, da Secretaria de Saúde e dos parlamentares locais, enfatizando que “ser mãe atípica não significa ser incapaz” e exigindo respeito ao atendimento de pessoas com deficiência.

O protesto virtual surtiu efeito rápido na gestão do Pronto-Socorro de Avaré. No dia 19, a coordenação da unidade — representada pelo Dr. Jackson e por Lucimara — tomou conhecimento da denúncia e entrou em contato direto com a mãe.

Na terça-feira (20), a munícipe foi recebida presencialmente na direção do Pronto-Socorro para alinhar os fatos.

Nota de Esclarecimento e Encaminhamentos

Em nova manifestação pública (Nota de Esclarecimento), a mãe confirmou que foi ouvida com atenção e empatia pelos gestores, que se colocaram à disposição e orientaram sobre os canais diretos de ouvidoria e coordenação para eventuais intercorrências. O caso foi formalmente encaminhado para avaliação administrativa e apuração interna da conduta médica.

Maria ressaltou que a reunião e a postura receptiva da gestão não apagam o trauma e a gravidade do ocorrido no plantão, mas registrou a importância da abertura ao diálogo:

“A publicação anterior foi um relato da experiência que vivi. Esta nota não apaga o que aconteceu, mas considero justo compartilhar o que aconteceu depois e reconhecer a atenção recebida. Meu objetivo sempre foi o atendimento e o respeito à minha filha. Reconhecer as iniciativas de acolhimento é fundamental para construirmos uma saúde pública mais humana”, pontuou a mãe atípica.

“Agradeço novamente ao Dr. Jackson e à Lucimara por me receberem e me ouvirem. Acredito que reconhecer tanto as situações difíceis quanto as iniciativas de acolhimento é importante para construirmos um atendimento cada vez mais humano e respeitoso”, frisou.