
Um ranking divulgado nesta quarta-feira (20) pelo instituto Imazon, em parceria com organizações parceiras, traçou o mapa da qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros em 2026.
O levantamento do Índice de Progresso Social (IPS Brasil) revela que as desigualdades regionais permanecem profundas no país: 19 das 20 cidades mais bem colocadas estão nas regiões Sul e Sudeste, enquanto 18 das 20 com as piores notas situam-se no Norte e Nordeste.
Pelo terceiro ano consecutivo, a liderança nacional ficou com Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. Com cerca de 4,8 mil habitantes, o município atingiu 73,10 pontos em uma escala que vai de 0 a 100. No extremo oposto, a cidade de Uiramutã, em Roraima, registrou a menor pontuação do país, com 42,44 pontos.
O cenário em Avaré e na região
Na região, o grande destaque positivo foi Barra Bonita, que alcançou a marca de 70,71 pontos, figurando entre os municípios com as notas mais altas do estado.
Avaré aparece na 626ª posição em âmbito nacional, somando 65,79 pontos. O desempenho do município ficou abaixo de vizinhos importantes da região, que aparecem bem posicionados no ranking:
- Bauru: 49º lugar
- Botucatu: 82º lugar
- Paranapanema: 166º lugar
- Manduri: 391º lugar
- Óleo: 431º lugar
- Piraju: 440º lugar
- Fartura: 487º lugar
- Águas de Santa Bárbara: 504º lugar
Por outro lado, Avaré ficou à frente de outras cidades do entorno, que aparecem mais abaixo na tabela geral:
- Cerqueira César: 690º lugar
- Taquarituba: 700º lugar
- Sarutaiá: 1.104º lugar
- Itatinga: 1.647º lugar
- Arandu: 1.718º lugar
- Itaí: 1.949º lugar
- Iaras: 3.460º lugar
O que o IPS mede?
Diferentemente do Produto Interno Bruto (PIB), que mede apenas a riqueza econômica gerada, o IPS avalia se essa riqueza de fato se traduz em bem-estar para a população. O cálculo considera 57 indicadores sociais e ambientais extraídos de bases de dados públicas, como DataSUS, IBGE, Inep e MapBiomas.
“O IPS é um índice que surge de um entendimento de que o desenvolvimento econômico, por si só, não corresponde necessariamente ao desenvolvimento social”, explica Melissa Wilm, coordenadora do IPS Brasil, em entrevista ao g1. “A proposta é medir o que realmente importa na vida das pessoas. Diferente de métricas tradicionais, que olham principalmente o quanto foi gasto em determinada área, nós olhamos o quanto as pessoas de fato se beneficiaram com o investimento feito.”
Progresso tímido no país
A nota média do Brasil em 2026 fixou-se em 63,40 pontos — um crescimento sutil se comparado aos anos anteriores, quando o país registrou 63,05 (2025) e 62,85 (2024).
“O progresso foi tímido. A maioria dos municípios subiu no máximo um ou dois pontos de um ano para o outro”, pondera a coordenadora do instituto.
Os indicadores são divididos em três grandes dimensões:
Necessidades Humanas Básicas
Teve a melhor média nacional, com 74,58 pontos. Avalia temas ligados a alimentação, saúde, moradia, saneamento e segurança. O componente Moradia registrou a maior nota do país: 87,95 pontos.
Fundamentos do Bem-Estar
Obteve média de 68,81 pontos e reúne indicadores relacionados a educação, acesso à internet, saúde e qualidade ambiental. O componente Acesso à Informação e Comunicação foi o que mais cresceu entre 2025 e 2026, impulsionado pela ampliação do acesso a tecnologias e meios de comunicação.
Ao mesmo tempo, o índice aponta que estados da Amazônia Legal concentram os piores resultados em Qualidade do Meio Ambiente, influenciados por desmatamento acumulado, focos de calor e emissões de gases de efeito estufa.
Oportunidades
Foi a dimensão com pior desempenho no país, com média de 46,82 pontos, repetindo o padrão das edições anteriores. Reúne indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social, liberdades pessoais e acesso ao ensino superior.
Os piores resultados apareceram justamente nos componentes de Direitos Individuais (39,14), Acesso à Educação Superior (45,97) e Inclusão Social (47,22). Segundo o relatório, a área de Inclusão Social vem registrando queda desde 2024, refletindo problemas como violência contra minorias, baixa representatividade política e aumento de famílias em situação de rua.
O estudo também divide os municípios brasileiros em nove grupos, dos melhores aos piores desempenhos. Em 2026, 706 cidades ficaram no grupo mais bem avaliado, enquanto apenas 23 municípios apareceram na faixa mais crítica.





































