Fotos redes sociais

O esclarecimento do brutal assassinato de Jennifer Eduarda da Cruz Blimblem, de apenas 18 anos, ocorrido em setembro de 2021, em Avaré, ganhou contornos ainda mais estarrecedores com os novos desdobramentos apurados pela Polícia Civil.

Após a coletiva de imprensa realizada pela Delegacia Seccional e pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) nesta segunda-feira (17), a análise pericial dos materiais apreendidos — incluindo notebooks, celulares, HDs e pendrives — revelou uma estratégia inédita e fria adotada pelo principal suspeito de ter planejado o crime.

Segundo apurado pelos investigadores a partir da análise preliminar dos dispositivos eletrônicos recolhidos, o investigado de 28 anos, apontado como um dos mentores da execução, utilizou ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para simular o interrogatório policial ao qual poderia ser submetido.

As análises apontam que o suspeito inseriu prompts no sistema para gerar possíveis perguntas que os delegados e investigadores poderiam fazer durante a apuração. Além de simular as repostas que deveria fornecer para tentar enganar as autoridades e evitar contradições, o investigado chegava a atribuir “notas” de desempenho às suas próprias respostas simuladas, buscando calibrar a versão ideal antes de qualquer eventual depoimento oficial.

Nesta terça-feira, 18 de agosto, a repercussão do caso tomou grandes proporções nas redes sociais com o vazamento de fotos dos suspeitos. Embora os nomes oficiais venham sendo mantidos sob sigilo no inquérito até a conclusão das diligências e o julgamento das prisões preventivas, as imagens que circularam na internet geraram forte  indignação e revolta na população avareense.

Relembre as revelações da Polícia Civil

A elucidação do homicídio, ocorrida após quase cinco anos de apuração persistente pela DIG, indicou a participação de três pessoas no crime: dois homens (de 28 e 23 anos), que tiveram a prisão temporária decretada e cumprida no sábado (15), e uma mulher, que colabora com as investigações e responde em liberdade.

Conforme detalhado pelo delegado seccional Fabiano Ribeiro Ferreira da Silva e pelo delegado titular da DIG, Adriano Leite de Assis, a motivação descrita pela mulher investigada chocou pela futilidade e crueldade: o crime teria sido planejado pela dupla com o objetivo sádico de “saber como seria matar uma pessoa”. Jennifer foi escolhida aleatoriamente na Feira da Lua por ser vista como um “alvo fácil”.

Após atraírem a jovem para um veículo VW Santana vinho, o grupo a levou até uma área rural. A vítima foi agredida com golpes de faca e atingida na cabeça com uma barra de ferro. Em seguida, os envolvidos ocultaram o corpo e chegaram a retornar ao local no mesmo dia.

Próximos passos do inquérito

A DIG informou que representará pela conversão das prisões temporárias dos dois homens em prisões preventivas. Os equipamentos eletrônicos continuam passando por perícia minuciosa do Centro de Inteligência Policial para extração completa de dados, conversas e históricos de busca. Concluído o laudo pericial, o inquérito será remetido ao Poder Judiciário.