O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio da 2ª Promotoria de Justiça de Avaré, promoveu o arquivamento do Inquérito Policial nº 1509894-06.2026.8.26.0392, que apurava a suposta prática do crime de perseguição (stalking, previsto no artigo 147-A do Código Penal) praticado por Victor Hugo Ramos.

A apuração teve início após representação da genitora de um adolescente, que relatava abordagens inconvenientes nas proximidades de uma escola e no clube Associação Atlética Avareense. No entanto, após a colheita de depoimentos e análise das provas documentais e mídias apresentadas, o Promotor de Justiça Lucas Maester Colombo concluiu pela ausência de justa causa para a deflagração de ação penal.

De acordo com o relatório ministerial, o crime de perseguição exige a comprovação de atos reiterados com efetiva capacidade de ameaçar a integridade física ou psicológica, restringir a locomoção ou invadir a privacidade da vítima.

No caso analisado, a única suposta vítima individualizada — o próprio adolescente — declarou expressamente às autoridades que nunca sofreu ameaças, constrangimentos físicos ou qualquer abordagem de natureza sexual por parte do investigado, citando apenas episódios de conversas e uma discussão verbal no clube. Além disso, a perícia e a análise dos autos constataram que as fotografias anexadas não continham teor ilícito e que não foi possível comprovar a participação de menores em vídeos mencionados nas acusações.

A defesa de Victor Hugo apresentou atestados médicos que comprovam que ele se encontra em tratamento neurológico e psiquiátrico contínuo por condições de saúde crônicas (como epilepsia desde a infância, TDAH e transtorno de ansiedade). Depoimentos de familiares reforçaram que ele possui limitações de discernimento comportamental e que suas atitudes expansivas foram mal interpretadas, gerando boato e repercussão desproporcional na cidade.

Reação do investigado: processos por danos morais e denúncias

Após a oficialização do pedido de arquivamento por parte do Ministério Público, Victor Hugo Ramos manifestou-se afirmando que adotará medidas judiciais contra as partes envolvidas na propagação das acusações.

Ele declarou que moverá ações judiciais contra o influenciador Paulo Proença responsável pela divulgação inicial dos fatos, contra a Associação Atlética Avareense e contra os denunciantes, alegando que as publicações e o constrangimento geraram sérios danos à sua honra e integridade.

Além disso, Victor Hugo relatou que continua sendo alvo de ataques e ofensas graves nas redes sociais, mesmo após a manifestação do MP. Ele formalizou uma denúncia na Ouvidoria Pública e protocolará representação no Ministério Público contra uma servidora comissionada do município — identificada por ele como Tati Momburg —, que teria feito publicações chamando-o de “pedófilo” e defendendo sua prisão sem que houvesse qualquer condenação ou prova contra sua pessoa.

O caso segue para formalização da comunicação às partes e homologação da decisão de arquivamento pelo Judiciário. O in Foco mantém espaço para todos os citados.