O fortalecimento da rede de proteção à mulher em Avaré e região já algum tempo ganhou um reforço informativo e tecnológico de peso. Nesta quinta-feira (22), durante a realização do CONINCE (Congresso de Iniciação Científica), alunos do curso de Direito da Uneduvale apresentaram o projeto “Mulheres Protegidas” — uma iniciativa que já havia sido destaque na edição anterior do evento Mulheres Empreendedoras.

Coordenado pelo professor Lourenço Munhoz Filho, o trabalho integrador foi idealizado e executado pelos acadêmicos Alex da Luz, Douglas Afonso da Silva, Leonardo Thomaz Sanches Lainetti, Rodrigo Leonardo Lomele e Rodrigo Luís Godoi.

Uma nova perspectiva: por que o silêncio mata?

Diferentemente das abordagens anteriores que se concentraram em divulgar a Lei Maria da Penha e suas punições, a apresentação no CONINCE trouxe uma reflexão mais profunda: como a violência doméstica segue um padrão progressivo e por que a desinformação alimenta o ciclo do feminicídio.

Pesquisas realizadas pelo grupo com estudantes universitários — um público que, em tese, possui maior acesso à informação e trocas acadêmicas — revelaram dados preocupantes. A falta de conhecimento sobre os benefícios da lei e sobre os aparatos legais disponíveis acaba gerando desinformação. Essa lacuna produz o silêncio, seja por medo, desconhecimento ou pelo descrédito na eficácia da legislação.

Os dados levantados mostram claramente como a violência escala:

  • Para cada 501 casos de violência psicológica e moral, registram-se:
    • 182 casos de violência física;
    • 58 casos de violência sexual;
    • 24 casos de violência patrimonial;
    • 1 feminicídio.

“A violência doméstica é um crime que começa ‘menos grave’ e vai escalando até o desfecho mais fatal. O silêncio mata, e a informação é a melhor forma de prevenção”, explicam os criadores do projeto.

Tecnologia e informação a serviço da vida

Lançado originalmente em 2024, o portal “Mulheres Protegidas” centraliza de forma intuitiva as principais ferramentas e dados para o combate à violência contra a mulher. Diante do aumento nos índices de ocorrências na região, a plataforma se consolida como um guia seguro para vítimas e para quem deseja prestar ajuda.

Entre os conteúdos e recursos disponíveis no site, destacam-se:

  • Legislação: Detalhamento prático da Lei nº 11.340/06 (Lei Maria da Penha).
  • Canais de Denúncia: Orientações diretas de como e onde acionar as autoridades.
  • Ferramentas de Emergência: Instruções de uso e acesso ao aplicativo “SOS Mulher”.
  • Políticas Públicas: Informações cruciais sobre medidas protetivas de urgência, auxílio-aluguel para vítimas, visitas solidárias e monitoramento de agressores.

Protagonismo acadêmico e impacto social

A recepção do público — tanto no Mulheres Empreendedoras quanto no CONINCE — foi imediata e positiva. Participantes e comunidade acadêmica reconheceram o site como uma ferramenta indispensável para integrar e fortalecer a rede de apoio local.

O projeto reafirma o papel transformador do conhecimento acadêmico quando aplicado na resolução de problemas reais da sociedade, mostrando que democratizar o acesso à informação jurídica é o primeiro passo para salvar vidas.

Conheça a plataforma:

O portal “Mulheres Protegidas” já está disponível para acesso e consulta pública. Clique aqui para conhecer e compartilhar!

A Cartilha será postada no site Mulheres Empreendedoras.