O vereador Luiz Cláudio da Costa (Podemos) está questionando a Prefeitura de Avaré sobre a empresa e organização dos shows da Exposição Municipal Agropecuária de Avaré (EMAPA) 2026, cobrando transparência do evento.

A prefeitura havia anunciado previamente que a grade de shows e a estrutura da festa seriam concedidas e terceirizadas por meio de uma empresa privada — sob a promessa de um modelo sem custos diretos aos cofres públicos. Contudo, até momento o Executivo ainda mantém em sigilo sobre quem é, oficialmente, a vencedora e responsável pela organização.

Diante do silêncio e da falta de publicação oficial dos contratos, o vereador protocolou, no último dia 15 de julho, ofício no Paço Municipal. O documento, direcionado ao Departamento de Licitações e Contratos, faz uso das prerrogativas da Lei de Acesso à Informação (Lei Federal nº 12.527/2011) para requerer transparência irrestrita sobre os atos administrativos da feira e não precisa ser aprovado em plenário, como lembrou o vereador.

No documento protocolado, o parlamentar pede o envio, em meio digital ou físico, de toda a documentação que compõe os bastidores da EMAPA 2026:

  1. Cópia integral do processo licitatório destinado à concessão, organização, exploração ou realização da EMAPA 2026, incluindo edital, anexos, pareceres, atas, publicações, propostas, recursos e demais documentos que o compõem.
  2. Caso a concessão tenha sido realizada por outro instrumento jurídico, encaminhar cópia integral do respectivo processo administrativo e do contrato ou termo firmado.
  3. Cópia integral dos processos administrativos e licitatórios referentes à contratação dos shows artísticos da EMAPA 2026, incluindo contratos firmados com artistas, empresários ou empresas intermediárias, bem como eventuais inexigibilidades, dispensas de licitação ou outros procedimentos utilizados.
  4. Informar qual empresa é oficialmente responsável pela organização da EMAPA 2026, pela comercialização de ingressos e pela contratação dos shows, encaminhando cópia do respectivo contrato ou instrumento jurídico.
  5. Informar se já existe contrato vigente autorizando a comercialização de ingressos para a EMAPA 2026 e, em caso positivo, encaminhar cópia integral do referido contrato.

Alvo de questionamentos no TCESP e Ministério Público

A indefinição sobre o contrato final da EMAPA ocorre em meio a um cenário de constante vigilância dos órgãos de controle. O modelo de terceirização adotado pela administração municipal já foi objeto de representações perante o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) e o Ministério Público.

Embora o município defenda que a feira será custeada pela iniciativa privada em troca da exploração comercial do espaço, questiona-se o uso de insumos, maquinário, estrutura de apoio e o empenho de servidores públicos na preparação da festa.

Enquanto a grade com atrações de peso nacional já foi divulgada publicamente, a população e o Poder Legislativo aguardam a divulgação oficial das atas e do instrumento jurídico que valida e responsabiliza a empresa gestora do evento deste ano.

Ano passado, a prefeitura já tinha anunciado que a festa seria bancada através de emendas parlamentares, mas até hoje a lista dos valores e congressistas ou deputados não foi divulgada.

O espaço do in Foco segue aberto para que a Prefeitura de Avaré e o Departamento de Licitações se manifestem sobre o pedido de informações do Legislativo.