
Uma operação da Polícia Civil realizada na última segunda-feira (26) para combater a venda ilegal de injeções emagrecedoras em Taguaí desencadeou uma reação atípica nas redes sociais. A apreensão de ampolas de Tirzec e TG, que resultou na investigação de um estudante de medicina e sua irmã, foi alvo de uma enxurrada de comentários que tentam deslegitimar o trabalho policial e minimizar os riscos à saúde pública.
O que chama a atenção de especialistas em segurança digital é o padrão das interações. Muitos dos comentários apresentam características de contas automatizadas ou perfis organizados (spams), que repetem exaustivamente o mesmo argumento: “é apenas para uso próprio” ou “o remédio não é proibido”.
Apesar do “barulho” digital tentando alegar que o medicamento é liberado, a realidade jurídica é clara: a Anvisa proíbe terminantemente a comercialização e a importação para fins de revenda de substâncias à base de tirzepatida sem registro sanitário no Brasil.
O cinismo nas redes sociais chega ao ponto de alguns perfis que criticam a polícia serem, eles próprios, canais de venda ilegal. Em um dos casos identificados na postagem, uma internauta que questionava o “alarde” da polícia possui em seu histórico no Facebook anúncios ativos para a venda direta desses mesmos medicamentos — o que configura crime hediondo contra a saúde pública, conforme o Artigo 273 do Código Penal. Outros declararam abertamente que compram no Paraguai o medicamento. Todos os comentários e perfis foram enviados à Polícia Civil.
O Risco Além da Tela
Enquanto os internautas ironizam a apreensão de “apenas 4 ampolas”, a investigação aponta um cenário muito mais perigoso. A operação foi motivada após uma vítima passar mal e precisar de atendimento hospitalar após utilizar o produto vendido pelos investigados.
“Não se trata apenas de ‘emagrecer’, trata-se de um produto vindo do Paraguai, sem controle de temperatura, sem garantia de procedência e vendido por pessoas sem autorização legal”, afirma o texto da ocorrência.
Fornecedores “Blindados” pela Rede
A mobilização digital também revelou frases preocupantes de usuários reais que, influenciados pela desinformação, chegaram a escrever “Deus proteja nossos fornecedores”. Esse tipo de apoio a práticas clandestinas ignora que, ao contrário do medicamento regularizado em farmácias, as versões contrabandeadas podem conter substâncias adulteradas, colocando a vida dos consumidores em risco imediato.
A Polícia Civil reitera que o monitoramento de redes sociais é uma ferramenta constante e que a apologia ao crime, bem como a venda de medicamentos proibidos em grupos de Facebook, continuará sendo alvo de investigações rigorosas.
Proibição
A Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, proibiu a venda de canetas emagrecedoras sem registro no Brasil, também conhecidas como “canetas do Paraguai”. A decisão atinge medicamentos à base da substância tirzepatida das marcas Synedica e TG; e da substância retatrutida, de todas as marcas e lotes.
Pela decisão, os fármacos não podem ser comercializados, distribuídos, fabricados, importados, divulgados e usados.
Segundo a Anvisa, os produtos foram fabricados por empresas desconhecidas e são anunciados e vendidos por meio de perfis no Instagram sem registro, notificação ou cadastro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
A agência reguladora também orienta que profissionais de saúde e pacientes que identificarem os produtos das marcas e lote citados devem entrar em contato com o órgão pelos canais oficiais de atendimento ou com a Vigilância Sanitária local.
No Brasil, a única tirzepatida aprovada pela Anvisa é o Mounjaro, da farmacêutica Eli Lilly.




































