
Um relato forte e comovente expôs mais uma vez algumas limitações do atendimento de saúde infantil no Pronto-Socorro Municipal de Avaré. Uma mãe viveu momentos de desespero ao lado da filha, de apenas cinco anos, que permaneceu cerca de 12 horas sem poder comer ou beber enquanto aguardava uma vaga de transferência para cirurgia de emergência.
Segundo a mãe, a saga começou ainda na madrugada, por volta das 1h30, quando a criança deu entrada no pronto-socorro com fortes dores. Na ocasião, o médico de plantão medicou a menina com Buscopan, receita para gases e a liberou. No entanto, o quadro se agravou e a mãe retornou ao PS às 8h da manhã.
Após nova avaliação e a constatação de febre muito alta, veio o diagnóstico: apendicite aguda. A partir desse momento, a situação se tornou ainda mais dramática, pois Avaré não realiza procedimentos cirúrgicos infantis desse tipo, segundo relato da mãe.
“Minha filha com cinco anos de idade ficou das oito da manhã até agora pouco sem comer sem beber porque foi diagnóstico de apendicite. Estou com minha filha doze horas jogada sem comer, implorando pela misericórdia de alguém me ajudar”, desabafou a mãe durante a espera.
Apesar do sofrimento com a demora, a mãe fez questão de destacar e agradecer publicamente a postura da médica plantonista que atendeu a criança durante o dia. De acordo com o relato, a profissional buscou todas as alternativas possíveis para agilizar o atendimento dentro das limitações da unidade.
A vaga de transferência para o Hospital das Clínicas da Unesp, em Rubião Júnior (Botucatu), saiu por volta das 20h. Contudo, a família enfrentou um novo obstáculo: a indisponibilidade imediata de ambulância para o transporte, já que as duas unidades disponíveis do município estariam em viagem.
O caso reacende o debate sobre a infraestrutura da saúde pública municipal e a falta de suporte para procedimentos cirúrgicos pediátricos na cidade, obrigando famílias a enfrentarem a angústia da regulação de vagas e transferências rodoviárias em momentos de urgência.
A mãe também direcionou críticas à postura de parlamentares locais diante das denúncias frequentes sobre o sistema de saúde: “Ainda tem vereador que acha ruim de falar do pronto-socorro, pois mandam para eles e ficam bravos porque querem que poste só coisas positivas, não querem que mostre a realidade! Até quando?”
O espaço segue aberto para manifestações da Secretaria Municipal de Saúde de Avaré e da administração do Pronto-Socorro quanto ao fluxo de transferências e à disponibilidade de ambulâncias na rede pública.



































