A intervenção de macrodrenagem de mais de R$ 12 milhões no centro de Avaré — voltada a solucionar o histórico problema de alagamentos na região central e vias do entorno — abriu caminho para uma discussão urbanística há muito adormecida na cidade. O presidente da Câmara Municipal, vereador Samuel Paes (PSD), sugeriu ao Poder Executivo que o município aproveite a reestruturação do piso e do subsolo do quadrilátero central para implantar um calçadão comercial.

A proposta reativa uma ideia que atravessa décadas no planejamento urbano de Avaré. A criação de uma via exclusiva para pedestres já havia sido defendida em diversos momentos pela Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Avaré (ACIA) e remonta ao final do século passado.

Na década de 1990, Avaré destacou-se no cenário estadual e nacional ao figurar entre os primeiros municípios brasileiros a elaborar um Plano Diretor estruturado. Na época, dentro desse projeto de ordenamento urbano, idealizado na gestão do então ex-prefeito Miguel Paulucci, a implantação de um calçadão no centro financeiro e comercial era uma das peças centrais para humanizar o trânsito, priorizar o pedestre e modernizar a área central.

Apesar do caráter visionário do Plano Diretor à época, a proposta do calçadão não saiu do papel devido à forte resistência de parcela dos comerciantes locais. Temendo que o fechamento das ruas ao tráfego de veículos afastasse clientes e prejudicasse a rotina de entregas e estacionamento, uma parcela do empresariado pressionou contra a medida, travando a execução do projeto que teria sido inovador.

Oportunidade das obras

Anos mais tarde, muitos comerciantes passaram a reavaliar o conceito de calçadão comercial, alinhando-se a tendências adotadas com sucesso em diversos centros urbanos do país, onde áreas de convivência sem carros aumentaram o fluxo de pedestres e o tempo de permanência dos consumidores nas lojas.

Agora, com as escavações e a colocação das grandes aduelas de concreto para a vazão das águas pluviais, o debate volta ao centro das atenções. Na avaliação do presidente do Legislativo, reconstruir as vias afetadas mantendo o modelo antigo seria perder uma oportunidade única de redesenhar o urbanismo do centro comercial. A proposta entregue ao prefeito Roberto Araújo inclui ainda a instalação de uma base da Guarda Civil Municipal no local para garantir a segurança dos frequentadores.