A sessão ordinária da Câmara Municipal de Avaré nesta segunda-feira (19) foi marcada por um forte tom de desabafo e indignação. Vestidos de preto em sinal de luto pelas crescentes dificuldades financeiras que ameaçam o varejo local, dezenas de comerciantes do centro da cidade lotaram o plenário. O protesto pacífico teve como lema central o apelo: “A obra não pode durar mais que a sobrevivência dos nossos negócios”.

Os empresários deixaram claro que não são contra as obras. A intervenção nas galerias pluviais — orçada em mais de R$ 12 milhões por meio de convênio entre a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo — é reconhecida como uma necessidade histórica e urgente para conter os históricos alagamentos que atingem a região central.

O foco da revolta, contudo, reside na lentidão dos trabalhos, na ausência de planejamento adequado das interdições e na falta de comunicação prévia com a categoria.

Durante o expediente destinado ao público, os empresários Anderson Souza e Marcela Panebianco fizeram uso da palavra na tribuna para detalhar o cenário dramático vivido no comércio do centro.

Com a chegada de outubro — período crucial de preparação de estoque e caixa para as vendas do fim de ano —, o acúmulo de poeira, o bloqueio dos acessos e a consequente fuga de pedestres vêm arrastando o setor produtivo para o colapso. Lojistas relatam quedas acentuadas de faturamento, demissões de funcionários e até o encerramento definitivo de estabelecimentos.

“Não questionamos a relevância da infraestrutura, mas o impacto humano e financeiro de uma obra travada. Da forma como está sendo gerida, muitas portas fecharão antes que a água das chuvas passe”, enfatizaram os representantes da classe durante os depoimentos.

Principais reivindicações 

Os comerciantes apresentaram algumas propostas objetivas e viáveis para atenuar o prejuízo sem interromper os trabalhos de engenharia:

  • Trabalho noturno e em turnos ininterruptos: Adoção de jornadas à noite e na madrugada nas áreas de maior densidade comercial, prática comum em grandes intervenções urbanas para evitar o bloqueio de calçadas e fachadas em horário de expediente comercial.
  • Fluidez no trânsito: Transferência dos serviços pesados para fora dos horários de pico, evitando o travamento da circulação e do transporte coletivo.
  • Transparência e canal de comunicação contínuo: Criação de um canal direto de aviso por parte da Administração Pública sobre o cronograma detalhado de interdições e bloqueios.

Em resposta às manifestações, todos os parlamentares presentes na sessão disseram apoiar a causa e prometeram unir forças na cobrança perante o Poder Executivo. Para fortalecer essa ponte, os comerciantes estruturaram uma comissão de trabalho e estão mobilizando o contato direto dos vereadores para alinhar as ações conjuntas de fiscalização.

Na última quinta-feira (15 de outubro), o presidente da Associação Comercial de Avaré (ACIA), Cassio Jamil Ferreira, já havia se reunido com o prefeito Roberto Araújo (PL). Na ocasião, o chefe do Executivo informou que a previsão da gestão é concluir e entregar a repavimentação das ruas Santa Catarina e Rio Grande do Sul até o dia 20 de novembro, colocando-se à disposição para agendar uma reunião de trabalho entre a comissão de empresários e o secretário municipal de Obras, José S. Calado.

Em nota e posicionamentos oficiais divulgados pelos canais da Prefeitura de Avaré, o município havia reforçado que o empreendimento — executado pela construtora Nova Dimensão Engenharia Ltda. — é uma obra complexa e histórica para aumentar a vazão de águas pluviais no Largo do Mercado e arredores. A administração alega que as alterações e interdições são indispensáveis para a segurança da população e o avanço técnico das aduelas de concreto.

Contudo, a previsão total de conclusão do contrato estende-se até março de 2027. Essa margem temporal longa gera apreensão extrema no comércio local, que teme que novos atrasos transformem as datas festivas deste ano em um desastre financeiro irracional para quem depende das vendas de fim de ano.

A comissão de empresários deve-se reunir essa semana com o prefeito e secretários para formalizar as exigências debatidas no Legislativo e acompanhar de perto cada etapa das obras.