
A jornalista e ex-comissionada municipal Fabiana Cristina Rizzo formalizou dois boletins de ocorrência contra José Paulo Santos de Oliveira, o influencer Paulo Proença (@pauloh.proenca) conhecido por postagens, vídeos e lives polêmicas nas quais faz ataques pessoais, especialmente à mulheres em Avaré.
Ums das mais chocantes é um vídeo no qual chama uma mulher de “chifruda” pelo fato de ela supostamente tê-lo criticado por estar comissionado no governo Roberto Araujo (PL). Na época, mesmo em cargo de comissão, o governo não se manifestou sobre o caso que gerou enorme repercussão. Conforme noticiado, o “influencer” teria pedido exoneração embora esteja mantendo um trabalho de divulgador do Executivo.
Contudo, uma das denúncias mais graves é que o “influencer” nem poderia ter sido contratado já que está com direitos políticos suspensos e uma representação recente junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) pede a devolução dos valores recebidos por ele durante mais de um ano e meio no cargo em comissão.
Histórico de denúncias
Ele já foi denunciado em redes sociais inúmeras vezes por mulheres, que apontam para uma rotina prolongada de intimidação, difamação e ameaças virtuais.
O caso mais recente é da jornalista Fabiana Rizzo. De acordo com os registos policiais elaborados pela Delegacia Eletrónica e encaminhados para a circunscrição do 1.º Distrito Policial de Avaré, a vítima relata ser alvo de um comportamento obsessivo e hostil.
Em um dos boletins, ela jornalista relata estar sendo perseguida e ameaçada pela internet, apresentando quadros de ansiedade e ataques de pânico devido ao receio constante.
Em maio de 2026, outro registra feito pela mulher, tipificou os crimes de Ameaça no âmbito de violência contra a mulher (Artigo 147.º, § 1.º do Código Penal) e tentativa de Difamação (Artigo 139.º do Código Penal). O documento detalha que o agressor utiliza as redes sociais para desferir ataques públicos, espalhar mentiras e incitar a hostilidade popular contra a profissional.
Fabiana diz ter desenvolvido crises severas de ansiedade e picos de tensão arterial em função da exposição contínua. Em desabafo sobre o caso, a jornalista revelou que as investidas do investigado perduram há cerca de um ano, sem que tenha havido qualquer provocação ou motivo que justificasse a conduta.
Segundo a vítima, a situação atingiu contornos insustentáveis quando as ofensas públicas passaram a visar diretamente a sua vida pessoal, o seu casamento e a sua estrutura familiar.
Além do impacto emocional, o assédio digital teve desdobramentos profissionais diretos. A jornalista informou que a sua saída da Prefeitura Municipal de Avaré ocorreu justamente motivada pela série de perseguições promovidas pelo investigado, somadas à pressão exercida por secretários municipais na altura.
“Cansei de toda essa situação. Agora envolvendo a minha família”, desabafou a profissional, confirmando que dará seguimento às medidas judiciais cabíveis contra o agressor.
Padrão de conduta
O comportamento investigado não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão recorrente de atuação digital centrado no assédio a figuras femininas públicas através de lives e vídeos de teor ofensivo.
Antes de visar a jornalista, Paulo Proença esteve no centro de uma polêmica semelhante ao realizar reiterados ataques virtuais contra a vice-prefeita de Avaré, Kika Monteiro (PL). Na época, enquanto ocupava um cargo comissionado na administração municipal, o investigado utilizava as suas transmissões em direto para desferir ofensas, questionar a conduta da vice-prefeita e tentar forçar narrativas depreciativas contra a sua imagem institucional.
O caso da vice-prefeita gerou forte repercussão política na cidade, levantando debates sobre a quebra de decoro funcional, a conivência do poder executivo e a necessidade de combater a violência política e psicológica de género no ambiente digital.
Ambos os processos seguem sob apreciação das autoridades policiais e da Justiça. Diante da gravidade dos relatos e do histórico de reincidência contra mulheres em posições de destaque na comunidade de Avaré, a expetativa é de que as investigações desdobrem em responsabilização criminal e medidas protetivas para garantir a segurança e a integridade das vítimas.




































