
Moradores do Parque Industrial Jurumirim em Avaré estão cobrando posicionamento e atitudes concretas da Prefeitura de Avaré diante do avanço da ocupação de uma extensa área pública na cidade. O caso levanta discussões sobre a seletividade da fiscalização municipal, já que cidadãos comuns relatam estar sendo monitorados por tecnologia de ponta, enquanto grandes ocupações permanecem sem intervenção efetiva.
A área em questão seria um terreno do município localizada na Travessa Rio Velho, paralela à Rua Manduri, — anteriormente vinculado a instalações federais e estaduais (Ceagesp) — onde no passado residiam diversas famílias. Na ocasião do processo de remoção e reassentamento dessas famílias para o conjunto habitacional Mário Banwart, o local deveria ter recebido destinação comunitária, como a implantação de uma praça pública que nunca saiu do papel.
Entretanto, segundo relatos da comunidade, o espaço voltou a ser gradativamente ocupado. Um imóvel religioso instalado na região passou a delimitar a área com cercas, avançando sobre a vegetação e ocupando praticamente um quarteirão inteiro do patrimônio público. Além da apropriação do terreno para uso particular e criação de animais, moradores denunciam a prática constante de queimadas para a eliminação do mato seco, gerando riscos ambientais e transtornos à vizinhança.
O ponto central da indignação reside no contraste entre as ações do setor de fiscalização. Enquanto proprietários e moradores de diversos bairros de Avaré vêm recebendo notificações e cobranças fiscais rigorosas com base em imagens detalhadas capturadas por drones da Prefeitura para a regularização de construções, a ocupação supostamente irregular sobre o patrimônio público parece ignorada.
Outro fator que desperta suspeitas entre moradores e parlamentares da cidade seria um possível alinhamento político. Durante o período eleitoral de 2024, o prédio da igreja instalada no local foi pintado com as cores oficiais do partido do atual chefe do Executivo municipal, levantando questionamentos sobre favorecimento ou vistas grossas por parte do poder público em razão de proximidade política.
Cidadãos que tentaram protocolar denúncias formais junto ao Departamento de Fiscalização do município relatam receio e barreiras burocráticas. A exigência de identificação pessoal e endereço no ato do protocolo impede que muitos moradores façam o registro oficial por medo de retaliações ou conflitos diretos de vizinhança. Informações enviadas informalmente a secretários e setores responsáveis também não resultaram em vistorias ou providências até o momento.
Diante do cenário, a população cobra a aplicação isonômica da lei: se a Prefeitura dispõe de recursos tecnológicos para fiscalizar e cobrar a regularização de imóveis privados, deve adotar o mesmo rigor e transparência para proteger o patrimônio que pertence a toda a coletividade.
Os moradores solicitam a vistoria presencial e imediata para delimitação da área pública e averiguação de autorização legal de uso; fiscalização sanitária e ambiental quanto à criação de animais e ao uso de fogo no local e recuperação da posse do terreno e elaboração de um projeto de uso social e comunitário para a área.
O in Foco mantém espaço aberto para posicionamentos de setores públicos envolvidos.




































