O que o povo de Avaré testemunhou na manhã desta sexta-feira, na Câmara Municipal, não foi um depoimento jurídico; foi um espetáculo de horrores encenado no palco da desinformação. O uso de uma munícipe para atacar a honra desta editora e a integridade deste veículo de comunicação é o sintoma mais claro de uma defesa que, sem argumentos para justificar o injustificável — a violência física contra um cidadão —, decidiu que o melhor caminho é tentar “assassinar a reputação” de quem noticia os fatos.

Isso não exime a irresponsabilidade da munícipe cujo depoimento foi totalmente equivocado e denota, talvez, um suposto ressentimento por falta de holofotes e um inexplicável sentimento de ódio que envolveu não apenas a jornalista Cida Koch, mas outros munícipes engajados na questão da cassação após a retirada à força do munícipe Vinícius Berna. Contudo, a parte mais lamentável é que a munícipe traiu – assim como Judas – a confiança de centenas de pessoas que apoiam e clamam pela cassação devido ao fato ocorrido (e não inventado ou criado) — tão munícipes quanto ela ou a jornalista (que, afinal, não é especial ou melhor que ninguém) — ao expor conversas inclusive sem ligação com o tema em si, ocasionando um dano moral a diversas pessoas.

A história é antiga e o roteiro é manjado: quando o fato é incômodo, tenta-se destruir o mensageiro. A Comissão Processante (CP) 01/2026, que deveria tratar exclusivamente da quebra de decoro de um parlamentar que usou da força bruta contra um munícipe, foi transformada em um tribunal inquisitório contra a liberdade de imprensa e de expressão. É estarrecedor que uma instituição pública abra espaço para que conversas privadas, prints editados e áudios fora de contexto sejam utilizados como “prova bombástica”, sem serem atas notariais, ignorando preceitos fundamentais da Constituição Federal.

O Brasil possui leis claras. O sigilo das comunicações é inviolável. Trazer a público diálogos de grupos de WhatsApp e conversas particulares, sem autorização judicial ou dos interlocutores, é um crime. Tentar validar isso em uma oitiva extemporânea é um insulto ao Direito. Mais do que isso: é uma tentativa de intimidar todo e qualquer cidadão ou jornalista que ouse se organizar, debater e opinar sobre os rumos políticos da cidade.

Dizem que a jornalista do in Foco “orquestrou” a denúncia. O que chamam de orquestração, nós chamamos de cidadania. O papel de um jornalismo que não se curva é exatamente este: servir de ponte para que a indignação do povo chegue às instâncias de poder. A munícipe Cida Koch nasceu antes de se tornar jornalista e a profissão não a torna menos cidadã que outros, sempre dentro da legalidade — o que não interfere no jornalismo ético praticado pelo in Foco, que, por inúmeras vezes, veiculou matérias nas quais políticos desmentem o próprio jornal.

O medo que eles têm da “mentoria intelectual” é, na verdade, medo da inteligência e da estratégia de quem conhece os corredores do poder e não se deixa enganar por falácias.

A Manobra do Desespero

Inevitável questionar: por que esse depoimento agora? A resposta é, talvez, matemática, não jurídica. Com o prazo de votação da cassação se aproximando em maio, a defesa precisava de um fato novo para “melar” o jogo. O objetivo é a procrastinação. Pedir mais 45 dias de prorrogação é dar oxigênio a quem já está sufocado pelas provas em vídeo da agressão no plenário. É uma manobra para esfriar a memória do eleitor e tentar salvar um mandato que se perdeu no momento em que a mão de um parlamentar atingiu o pescoço de um trabalhador.

Atribuir a mim a manipulação de figuras como Julianne e Vinícius é subestimar a capacidade de julgamento dessas pessoas e, acima de tudo, da população que acompanha o desenrolar dos fatos. Afirmar que mentiram sob juramento, sem qualquer prova material que anule as agressões filmadas, é uma acusação leviana que deve ser devidamente respondida nas esferas criminais.

Acusam-me de ser “tendenciosa”. Se ter um lado — o lado da transparência, da ética e do respeito ao cidadão — é ser tendenciosa, então aceito o rótulo com orgulho. O que a defesa chama de “cacetear” parlamentares, o público reconhece como cobrança editorial. No caso citado, o “cacetar” foi uma mensagem de WhatsApp enviada ao vereador após ele votar, junto com a situação, o aumento dos salários dos vereadores, 13º e férias remuneradas.

Vereadores são figuras públicas, sustentadas pelo dinheiro do contribuinte, e devem, sim, estar sob o escrutínio rigoroso da imprensa. Se o elogio não vem, talvez o problema não esteja na caneta da jornalista, mas na conduta do político. Mencionar nomes de vereadores com apelidos ou críticas em grupos privados é a dinâmica natural de qualquer debate político de bastidor. Tentar transformar isso em “crime de conspiração” é patético — tão patético quanto transformar em “crime” a autoria de um arquivo.

O que é “estarrecedor” e “gravíssimo” não é o que se fala em um grupo de WhatsApp, mas sim o fato de um presidente de Câmara estar sendo investigado por abuso de poder e, em vez de se defender com a verdade, esconder-se atrás de ataques a uma mulher jornalista. Aliás, jornalista que ele já tentou calar judicialmente no ano passado, após denúncia envolvendo seu nome no caso de uma suposta venda da FREA, fato que até hoje não foi respondido por ele (estamos à disposição sempre).

O in Foco não é um puxadinho da Câmara e não recebe ordens de gabinetes. A tentativa de vincular o jornal a atos ilícitos é o ápice do ridículo e o fundo do poço da ética parlamentar. Aqueles que usaram o plenário para espalhar tais calúnias deverão prová-las diante de um juiz. O tempo da impunidade e do coronelismo de aldeia está chegando ao fim, e o jornalismo livre é o prego que falta nesse caixão.

A população de Avaré não é boba, não é manipulável, muito menos a jornalista tem ‘super poderes’ de manipulação. O cidadão sabe diferenciar quem está trabalhando pela verdade de quem está tentando criar uma cortina de fumaça para salvar o próprio pescoço. A CP pode ser prorrogada, as ofensas podem se multiplicar nas redes sociais da “Voz do Vale” ou de quem quer que seja, mas os fatos permanecem: houve um abuso, há um processo e há uma cidade clamando por justiça.

Ao vereador Cabo Samuel e sua defesa, deixamos um recado: o foco da CP é a sua conduta, não a minha. Ao povo de Avaré, reafirmamos: o in Foco segue atento, vigilante e, acima de tudo, inabalável. Podem vir com seus pen drives e suas mentiras; nós continuaremos com a nossa caneta e a nossa coragem.

A verdade não precisa de edições. Ela se basta.