A política local sofreu um forte abalo com a entrega oficial do pedido de exoneração de Patrício Estela Monteiro Pereira, a “Kika”, do cargo de Secretária Municipal da Mulher e da Família. O ofício, protocolado na última quinta-feira, 21 de maio, expõe mais do que uma simples reforma administrativa: nos bastidores, a saída da vice-prefeita da pasta consolida rumores de um severo isolamento político e levanta debates sobre suposta misoginia política dentro do governo do prefeito Roberto Araújo.

No documento direcionado ao gabinete do prefeito, Kika adotou um tom formal e técnico, justificando que a entrega do cargo se deve ao “atual contexto administrativo e a necessidade de alinhamento quanto às diretrizes de gestão”.

Apesar de prezar pelo respeito institucional no texto e agradecer aos colaboradores, a vice-prefeita deixou claro no encerramento que não abrirá mão do espaço conquistado nas urnas: “Permaneço no exercício do mandato de Vice-Prefeita, função para a qual fui eleita democraticamente, mantendo meu compromisso com a população”.

A saída formal, contudo, é o estopim de uma crise que vinha se desenhando há meses. Informações de bastidores apontam que a vice-prefeita já vinha sinalizando desconforto com o comportamento do chefe do Executivo, o qual tem sido classificado por observadores políticos como excludente.

Relatos indicam que havia uma estratégia de isolamento completo da vice-prefeita, especialmente em eventos públicos. Informações de bastidores dão conta, inclusive, de que secretários municipais teriam recebido orientação informal para evitar registros de fotos ou vídeos ao lado de Kika, sob o risco de sofrerem sanções e punições internas.

Articuladores políticos locais avaliam o racha como um erro estratégico e uma demonstração de falta de reconhecimento. A leitura é que a vitória de Roberto Araújo — conquistada por uma pequena margem mínima de 108 votos — só teria sido viabilizada pelo carisma e pela força eleitoral que Kika agregou à chapa majoritária.

O desprestígio, segundo analistas, começou logo nos primeiros meses de mandato. Enquanto a vice-prefeita era escanteada de funções e representações oficiais, figuras do Legislativo, como o líder do prefeito na Câmara, vereador Pedro Fusco, ganhavam protagonismo, sendo chamados para agendas centrais e recebendo a visibilidade institucional que, por mérito de cargo e de urna, deveria ser direcionada à vice-prefeita.

Com a saída de Kika da Secretaria da Mulher, a gestão Roberto Araújo deve enfrentar um período de intensa pressão política, tanto pela perda de sustentação técnica em uma pasta sensível quanto pelo desgaste de imagem pública diante das graves acusações de isolamento e preconceito de gênero no alto escalão do município.

Ambos são do PL, mas o partido até o momento não se manifestou.