Uma corrida desesperada contra o tempo e contra a burocracia estatal está mobilizando Avaré. A munícipe Neiva Taborda, de 59 anos, que trava uma batalha severa contra um câncer colorretal em estágio avançado, transformou sua dor em um grito de socorro após ter o fornecimento de seu tratamento interrompido por entraves administrativos e decisões judiciais conflitantes. Diante da inércia do poder público, uma campanha de solidariedade foi iniciada por amigos e familiares para tentar arrecadar fundos e adquirir os medicamentos de forma particular.

Neiva enfrenta a doença desde 2023. Diagnosticada com adenocarcinoma de cólon esquerdo (CID C18.9), com metástase hepática em Estádio IV (condição não cirúrgica), ela já foi submetida a todos os protocolos de quimioterapia convencionais oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

No início, as drogas administradas surtiram efeito, reduzindo a atividade tumoral. Contudo, a doença estacionou e voltou a progredir. Uma segunda linha de tratamento foi tentada, mas trouxe altos índices de toxicidade, fortes efeitos colaterais e nenhuma resposta clínica favorável: o tumor continuou a crescer. Ao questionar os serviços de saúde, a paciente recebeu uma resposta desoladora: o SUS dispunha de apenas duas linhas de medicamentos para o seu caso. Esgotadas as opções, a orientação médica prática era interromper a quimioterapia e aguardar o avanço inevitável da doença.

Batalha judicial e a liminar descumprida

Recusando-se a aceitar o leito de morte determinado pela falta de opções na rede pública, Neiva e seu companheiro, Jorge, iniciaram uma peregrinação por cidades da região — incluindo Bauru, Jaú e o Hospital das Clínicas da UNESP de Botucatu — em busca de alternativas. Foi indicada, então, uma terceira linha quimioterápica com os medicamentos Trifluridina-tipiracila (Lonsurf) 20/9, 42mg e Bevacizumabe 335mg, que apresentam comprovação científica de ganho em sobrevida global e freio na progressão da doença.

Sem condições financeiras para arcar com o custo altíssimo do tratamento, Neiva recorreu à Justiça. Em decisão proferida no dia 4 de maio de 2026 no processo digital nº 0000888-36.2026.8.26.0073, o Juiz de Direito da 1ª Vara Cível da Comarca de Avaré, Dr. Augusto Bruno Mandelli, deferiu uma tutela de urgência. Baseando-se nos artigos 5∘ (direito à vida) e 196 (dever de saúde do Estado) da Constituição Federal, o magistrado ordenou que a Fazenda Pública do Estado de São Paulo fornecesse os medicamentos no prazo improrrogável de cinco dias, sob pena de multa diária.

“No presente caso, aplicando-se o princípio da ponderação de valores, quais sejam, alocar os escassos recursos da saúde em um paciente e o direito à vida da autora, diante do estágio atual da doença por ela enfrentada, certo que o direito à vida deve prevalecer”, destacou o magistrado Dr. Augusto Bruno Mandelli em seu despacho.

A vitória, contudo, foi efêmera. Antes que o remédio fosse entregue, um recurso protocolado pela Fazenda Pública no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) fez com que o Desembargador relator suspendesse a liminar concedida em primeira instância, deixando a paciente novamente desamparada.

Buscando esgotar todas as vias possíveis e formalizar novas provas para o processo judicial, Neiva Taborda tentou realizar pessoalmente o protocolo de um pedido administrativo junto à Santa Casa de Misericórdia de Avaré. O objetivo era obter o recebimento formal da requisição dos medicamentos ou uma negativa por escrito, detalhando se a unidade fornece os itens e o motivo da recusa, conforme exigido pelos ritos legais de alta complexidade oncológica.

Contudo, a paciente não obteve êxito na tentativa de protocolo. A instituição não viabilizou o recebimento formal da solicitação. Através de notificações administrativas enviadas por meio eletrônico, Neiva e sua defesa técnica agora cobram da unidade de saúde uma resposta urgente por escrito. O documento é peça crucial para demonstrar aos tribunais paulistas que a via administrativa foi totalmente obstruída, justificando o restabelecimento imediato da ordem judicial de fornecimento.

Corrente de Solidariedade

Como o tempo é o pior inimigo no tratamento oncológico e a paciente já apresenta progressão da doença, familiares, amigos e colegas de profissão decidiram não esperar pelo desfecho dos trâmites burocráticos e judiciais do Estado. Uma ampla campanha de arrecadação financeira foi lançada nas redes sociais para viabilizar a compra direta e urgente das primeiras caixas de Trifluridina/Tipiracila e Bevacizumabe.

A mobilização busca sensibilizar a comunidade de Avaré e região. Os organizadores destacam que cada dia sem a medicação representa uma piora clínica severa no quadro de Neiva.

O apelo gravado pela própria Neiva resume o sentimento que move a campanha e que deveria tocar a sensibilidade das autoridades públicas: “Eu não sei mais o que fazer. Eu estou querendo viver.”

Como Ajudar

Para quem puder e desejar contribuir com qualquer valor para a compra dos medicamentos oncológicos de Neiva Taborda, as doações podem ser feitas diretamente por meio dos dados abaixo:

  • Banco: Santander
  • Chave PIX (Celular): (14) 99763.5916 (Neiva Taborda)