O prefeito Roberto Araújo (PL) não se manifestou até o momento diante dos graves ataques desferidos contra sua vice,  “Kika” Monteiro (PL), apesar da repercussão entre a opinião pública.

Enquanto a vice-prefeita formaliza denúncias criminais e administrativas, o agressor — o servidor comissionado Paulo Proença, que atua como influenciador digital — continua a utilizar suas redes sociais para debochar publicamente da situação, demonstrando total desrespeito ao cargo que Kika ocupa e ao decoro esperado de um funcionário público.

Em vídeo publicado nesta terça-feira (23), Kika Monteiro quebrou o silêncio. Além de agradecer a expressiva onda de solidariedade popular que recebeu, a vice-prefeita enfatizou que sua reação não se limitará às redes: a resposta institucional já foi dada com o registro de um Boletim de Ocorrência (BO) contra Proença.

A denúncia foi formalizada sob os critérios rígidos do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Política contra a Mulher (uma força-tarefa entre o Ministério da Justiça e o Ministério das Mulheres). Paulo Proença é acusado de violência política de gênero e do uso indevido da estrutura pública para desqualificar a imagem da vice-prefeita por meio de comentários de cunho sexista e misógino. “Mulher apoia Mulher”, destacou Kika, chamando a atenção para o histórico do comissionado de focar seus ataques recorrentemente contra figuras femininas.

O que agrava a crise no primeiro escalão do município é a postura de Proença após a repercussão do caso. Longe de demonstrar cautela ou respeito às investigações, o comissionado continua a usar os canais digitais para ironizar e debochar da vice-prefeita, evidenciando a sensação de blindagem política dentro da atual gestão. Ele utilizou o ‘jargão’ ” Mulher apoia Mulher” da vice, para ironizar a situação.

A permanência de um servidor com esse comportamento — e com o histórico que carrega — atenta diretamente contra a dignidade do funcionalismo público de Avaré.

A blindagem a Proença ganha contornos ainda mais graves quando confrontada com a legalidade. Conforme apurado e publicado com exclusividade pelo portal in Foco, a permanência do comissionado na estrutura da Prefeitura já é alvo de representação no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

O documento aponta que Paulo Proença possui uma condenação criminal definitiva (trânsito em julgado) pelo crime de difamação (Art. 139 do Código Penal), confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Juridicamente, a manutenção de um funcionário condenado criminalmente em um cargo de livre nomeação e exoneração agride frontalmente o Princípio da Moralidade Administrativa, pilar que deveria nortear a conduta do prefeito.

Até o momento, o prefeito não emitiu qualquer nota de repúdio aos ataques sofridos por sua companheira de chapa, tampouco sinalizou o afastamento do servidor. O Partido Liberal (PL), legenda à qual Kika é filiada, e o próprio comissionado Paulo Proença também preferiram manter o silêncio perante os questionamentos e o in Foco continua aberto a ambos sobre o caso, desde que seja de forma respeitosa.