
O mês de junho ainda não terminou, mas o balanço parcial das ocorrências registradas na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Avaré já traça um retrato alarmante e doloroso da violência doméstica e de gênero na cidade.
Uma sequência de boletins de ocorrência expedidos nas últimas semanas revela que, mesmo diante de ordens judiciais de afastamento, os agressores continuam desafiando as autoridades, colocando a vida de mulheres de diversas faixas etárias em risco iminente.
Os casos mais recentes foram registrados no último domingo, 28 de junho, explicitando que o ciclo de violência muitas vezes se arrasta por anos sob a sombra do medo e do controle psicológico.
Domingo marcado por agressões brutais e crime digital
O último fim de semana foi violento. No domingo (28), uma mulher de 28 anos quebrou o silêncio e procurou a Polícia Civil acompanhada de familiares, visivelmente abalada. Ela relatou ter sido brutalmente agredida no sábado anterior pelo companheiro, de 29 anos, em um estabelecimento comercial onde ele trabalha. Ao tentar conversar sobre o relacionamento, a vítima foi atacada com tapas, chutes, puxões de cabelo e injúrias verbais, tendo ainda seu celular quebrado pelo agressor.
Aos policiais, ela revelou que sofria com o comportamento controlador e agressivo do homem há anos, mas nunca havia denunciado por medo. A vítima passou por exame de corpo de delito e pediu medidas protetivas de urgência.
Na mesma manhã de domingo, a DDM iniciou a investigação de um crime digital grave: uma jovem de 18 anos descobriu a criação de um perfil falso em uma rede social usado para expor publicamente fotos e vídeos íntimos seus. O principal suspeito é o ex-namorado, único que tinha acesso ao material. O caso foi registrado com base no artigo 218-C do Código Penal (divulgação de cena de nudez ou pornografia com finalidade de humilhação).
Medidas protetivas rasgadas
O balanço de junho expõe uma realidade preocupante: a eficácia das medidas protetivas esbarra no descumprimento reincidente por parte dos ex-parceiros.
- Perseguição na saída do trabalho: No dia 3 de junho, uma mulher de 38 anos acionou a Polícia Militar após ser cercada pelo ex-marido (também de 38 anos) na saída do emprego. O homem tentou forçá-la a entrar em seu veículo. A vítima relatou que ele ignora reiteradamente a ordem judicial de afastamento, fazendo perseguições e ligações constantes. O suspeito fugiu antes da chegada da PM.
- Mensagens e vigília na porta: Outro descumprimento foi denunciado por uma jovem de 20 anos. O ex-namorado, de 18 anos, usou o celular de terceiros para enviar mensagens e foi até a porta da casa dela para tentar forçar uma reconciliação. A PM foi chamada, o jovem fugiu, mas imagens de câmeras de segurança foram entregues à DDM para embasar o inquérito.
Tentativa de feminicídio e coação sexual
Duas ocorrências do meio do mês chocaram os plantonistas da segurança pública de Avaré pela gravidade das condutas.
Na madrugada de 5 de junho, uma jovem de 24 anos viveu momentos de terror quando seu ex-companheiro, de 27 anos, arrombou a porta de sua casa. A vítima conseguiu correr e se abrigar na casa de parentes, salvando a própria vida.
Ao vistoriarem o imóvel, constatou-se que o agressor abriu deliberadamente a válvula do botijão de gás da cozinha, criando um risco real de explosão para destruir o local e atentar contra a vida da ex-parceira. O crime foi tipificado como tentativa de feminicídio.
Já no dia 11 de junho, a Polícia Civil registrou uma denúncia de tentativa de estupro praticada por um homem de 59 anos contra sua inquilina, uma mulher de 29 anos. Aproveitando-se de uma situação de vulnerabilidade financeira da vítima, que estava com o aluguel atrasado, o proprietário a atraiu para um imóvel sob o pretexto de negociar. No local, ele a segurou à força e a assediou fisicamente, afirmando que perdoaria os juros da dívida se ela mantivesse relações sexuais com ele. A mulher conseguiu se desvencilhar e fugir.
Canais de Denúncia: Todos os casos acima estão sob investigação ativa da Delegacia de Defesa da Mulher de Avaré. A Polícia Civil reforça a importância de que qualquer ato de violência ou ameaça seja formalizado. Denúncias podem ser feitas pelo Disque 180 ou diretamente na DDM local.









































