O lamentável episódio de ataques preconceituosos direcionados a um jovem de 18 anos com Síndrome de Down repercutiu fortemente na sessão ordinária da Câmara Municipal de Avaré. Durante pronunciamento na tribuna, o vereador manifestou público repúdio às ofensas virtuais dirigidas ao jovem Francisco Alberto Forteza Paixão e anunciou o protocolo de uma Moção de Apoio e Solidariedade ao jovem e à sua mãe, Marli.

A manifestação na Casa de Leis ocorreu após a repercussão de uma reportagem do Jornal in Foco, que denunciou os comentários agressivos e desrespeitosos veiculados na internet contra Francisco.

O caso teve início quando o jovem publicou uma fotografia pessoal fazendo o gesto do “L”, símbolo associado ao seu posicionamento político. A postagem, no entanto, passou a receber uma enxurrada de comentários agressivos e preconceituosos, com nítido teor capacitista.

Em seu discurso na tribuna, o parlamentar classificou as agressões como “totalmente inaceitáveis, capacitistas, absurdas e desumanas”, reforçando que convicções ou divergências ideológicas jamais justificam a violência verbal ou a tentativa de inferiorizar qualquer cidadão em razão de sua condição funcional.

“As críticas e divergências políticas todo mundo tem; cada um tem seu posicionamento e a gente tem que respeitar. Mas chegar ao ponto de ter, numa postagem na internet, comentários desumanos demonstra tamanha ignorância de muitos. Querer diminuir e atacar é algo inaceitável”, declarou o vereador.

Ao repudiar as agressões, o parlamentar relembrou a existência de uma lei municipal de sua autoria, voltada especificamente à prevenção e ao combate ao capacitismo no município de Avaré. Diante da gravidade do ocorrido, o vereador confirmou o protocolo da Moção de Apoio e Solidariedade destinada a Francisco e à mãe, Marli, além de cobrar a identificação e a responsabilização legal dos autores das ofensas.

“Espero que providências sejam tomadas em relação a essas pessoas que fizeram os comentários. Contem com este vereador para que atitudes capacitistas como essas não ocorram em qualquer lugar que seja no nosso município”, completou.

O debate gerado na Câmara Municipal acende um alerta fundamental sobre o respeito à diversidade e a urgência do combate à discriminação, sobretudo no ambiente digital. O caso reafirma que a liberdade de expressão e a paixão política não podem servir de escudo para violações à dignidade humana ou para a prática de crimes de ódio.